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13 de jul de 2019

As redes sociais e o fazer político

Texto publicado originalmente no blogue O Eleitoral em fevereiro de 2012, revisto e atualizado. 


Parte da sociedade se mobiliza através das redes sociais para tentar combater a corrupção, angariando assinaturas de adesão a esses tipos de movimentos. Alegam que não encabeçam nenhuma sigla partidária, dão sugestões de projetos de Lei de iniciativa popular. Essas iniciativas são nobres, merecem apoio e respeito; mas uma reflexão mais apurada.

A Constituição Federal, no parágrafo único do seu primeiro artigo, diz que “todo poder emana do povo (...)”. O poder, a que se refere o constituinte é o de eleger e ser eleito por meio de eleições diretas ou indiretas. Acontece que esse poder, outorgado ao povo, estar corrompido pelo comércio eleitoral (ver livro Viu o home?).

Sendo assim, vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores, presidentes não recebem o diploma de posse porque eles querem ou porque possua algum privilégio, alguma proposta de governo; mas porque negociam o voto em todos os entes da federação.

Eles entenderam que é mais fácil negociar o voto por meio dos atravessadores políticos porque ficam livres das exigências da sociedade. E essa prática não é de nossos dias. Ela nos antecede. É um vício que somente a educação poderá livrar seus dependentes. Por isso insisto: enxergar o problema da corrupção somente de cima é se apropriar de um discurso pronto, escrito para as matérias de jornais.

As propostas desses movimentos deveriam ser contra a raiz dos males, ou seja, a corrupção passiva que acontece país a fora porque é por meio dela que gente com vida pregressa maculada tem se apropriado do poder que não emana do povo, mas do comércio eleitoral para legislar em causa própria, abrindo a porteira para que muita gente má intencionada se eleja.

Fica aí a minha dica para o combate a corrupção e a renovação política: não é o tronco e a copa de uma má árvore que devem ser cortados, mas a raiz para que novas árvores sejam plantadas e deem bons frutos. O resto é modismo.  

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27 de jun de 2019

O demônio da ignorância e da inveja


Hoje é 25 de fevereiro de 2003. A minha noite não foi uma das melhores e eu cheguei à empresa cheio de olheiras. Assim que pus os pés na sala e antes de sentar-me, minhas orelhas captaram palavras desprezíveis e ínfimas. Não era para menos, pois, elas vieram de um tolo, desses que se sente gente.

Observei firmemente a face daquela criatura portando algumas cicatrizes na face e não me intimidei. A maldade brilhava em seus olhos e aquele filhote da intolerância falava e falava. Nem os seus o suportavam, mas o queria por perto para a coisa suja.

Enquanto ele falava, eu conhecia a inveja de perto, viva, esquelética, movendo-se de um lado para o outro. Naquele momento, pensei: “a inveja é o sentimento mais mesquinho que eu conheci. Despreza o próximo porque sente-se desprezada. Filha da maldade, parente da fofoca e amante da irracionalidade; a inveja corrompe, ofende e cria rixa entre os seres”. 

Fiquei estarrecido ao vê-la me rondar. Confesso que contive o nervoso sem que algumas pessoas percebessem. Só me irritei, falando no mesmo tom de voz dela. Pareceu-me que aquele ser estava tomado por um demônio.

Refletindo depois do ocorrido, vi que há um demônio que ocupa a mente de muitas pessoas, que é o demônio da ignorância e da inveja.
Cadernos, Ron Perlim/Colégio/250203


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21 de fev de 2019

Clara e o cais

Eu me levantei do batente de casa, peguei o boné, botei-o na cabeça e saí. Quando já ia na calçada da vizinha, ouvi quando uma voz fraca se perdia e os fonemas se espalhavam ao vento.
Era Clara que evocava o meu nome. Assim que se aproximou, me cumprimentou com um sorriso. A boca, avermelhada de batom e as pestanas arqueadas, estavam abertas para a vida e o amor. Peguei em sua mão. Era cetinosa. Convidei-a para tomar sorvete. Ela topou, sem objeção.
Depois do sorvete, ela se ia rebolando. Os seios túmidos arrancavam olhares dos curiosos. Faceira, ia solta pela rua. Os cílios dos curiosos só pararam de pousar depois que ela sumiu completamente na esquina da rua.
E da esquina ela foi na ponta dos pés toda clara para a beira do cais. Ela gostava de ver as ondas. Neste dia, Clara saiu para o amor e não para as ondas. O amor que fica no cais. Mas nesta noite a bela se apagou. Ninguém sabe quem roubou a luz dela.
Lembro-me da doçura de Clara quando mexia com os meus olhos e meus pulsos. Quando aquela boca cetinosa se abria para a minha, avermelhada, dona de mim. Ela, a quem eu dedicava meu pequeno amor, agora, estava em alguma seção policial levada pelo vento.
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24 de abr de 2018

Partido sem sigla


O meu partido é aquele que combate a fome e a miséria.

Que olha para os abandonados e excluídos.

Que tem o olhar atento para as minorias, os injustiçados.

O meu partido não tem nome, nem sigla porque ele percebe o outro, não defende heróis, nem privilégios.

O meu partido não aceita que uma classe subjugue a outra para pisotear.

Para mim o que importa é o outro, enxergá-lo, vê-lo não como inimigo; mas como alguém que está perto de mim, como se fosse o meu próximo.

E se algum tolo ler isso e me taxar de marxista, comunista, socialista, esquerdopata; que assim seja.


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