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10 de jul de 2019

Coreto - Audiência Pública

Arlen Silva Brito e Ron Perlim
Entrega de uma cópia do meu pronunciamento no fórum estadual solicitada por Arlen Silva Brito, promotor de justiça da Comarca de Porto Real do Colégio, Alagoas que proferi no dia 09 de julho de 2019 no Centro Administrativo em decorrência do fatídico dia 04 do mesmo mês e ano onde parte do Coreto que se encontra na praça Rosita de Góes Monteiro foi demolida. 
Eis a íntegra do meu pronunciamento:


Audiência Pública
Porto Real do Colégio, 09 de julho de 2019. Centro Administrativo (Antigo Grande Hotel)

Boa tarde!


Início a minha fala dizendo que não sou oposição, nem situação. Me apresento como escritor, membro do Ceculc (Centro de Cultura Colegiense) e pesquisador da História de Porto Real do Colégio, assim como Adriano, que é professor de História e também pesquisador.

Desde que surgiu o burburinho de que o coreto seria removido da Pça. Rosita de Góes Monteiro, a indignação se apoderou de parte da sociedade colegiense. E quando a notícia se espalhou, o sentimento de rejeição foi unânime contra tal façanha. Esse ato impensado da administração e desprezo pelo patrimônio histórico e cultural do município resultou no dia 04 de julho de 2019 com a destruição de parte do coreto. Esse triste episódio certamente estará nos livros de História de Porto Real do Colégio.

Para a destruição do coreto, a administração usou como fundamento a reclamação de alguns moradores daquela localidade. Segundo essas pessoas, o coreto estava sendo usado por usuários de droga, servindo de ponto de prostituição e sanitário. Ora, deveriam essas pessoas reivindicarem do prefeito, primeiro: a restauração do coreto; segundo: a presença da guarda municipal para evitar que esses usuários usassem de forma indevida o patrimônio público; terceiro: que o município, por meio da Secretaria de Cultura (se é que ela existe) desse uma função social ao imóvel e, não, de forma alguma, pedir ao prefeito para que destruísse o coreto. Uma atitude impensada dessas pessoas, uma atitude impensada do prefeito e de sua equipe que não parou para refletir sobre esta situação. E, por fim, não há justificativa para destruir um bem público de valor histórico e cultural baseado em reclamações de pessoas que desconhecem a importância do coreto que, inclusive, serve de atividade para os professores e profissão de fé para os católicos. Infelizmente essa atitude infeliz da administração gerou esse problema e nós estamos aqui nesse momento para tentarmos, aliás, buscarmos uma solução para isso. Deveria a administração ter formado o Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico, Paisagístico e Cultural, previsto no Art. 152 da Lei Orgânica do Município de Porto Real do Colégio de 1990 para adotar medidas de defesa e valorização do patrimônio histórico, artístico e cultural do Município.

Coreto
Os coretos são reconhecidos em todo o Brasil como patrimônio histórico e cultural. O de Colégio não é diferente dos demais. Construído no ano de 1949 no governo de Ademário Vieira Dantas, foi palco de muitos fatos políticos, culturais e recreativos que marcaram aquele período. Como disse Vinícius Pereira “1(…) Os coretos exerciam dupla função: recreativa, com apresentações musicais; e políticas, através de discursos e pronunciamentos”.

O coreto de Colégio não é um simples amontoado de tijolos, cimento e tinta. Não é um depósito para usuário de drogas, prostituição e cagões, como se alegou de forma impensada para sua demolição; mas memória. Memória de um povo que nos últimos governos presenciaram seu patrimônio histórico e cultural ser dilapidado pelo abandono e pela apropriação indevida de particulares, políticos e afins como aconteceu com o Dique, parte da Estação Ferroviária, Grande Hotel, a Pedra do meio e outros.

Poderia relacionar muitos fatos que se passaram no coreto, mas escolhi apenas dois para demonstrar como era no passado e como ele é útil no presente. Vejamos:

  • No mandato do ex-prefeito João da Rocha Cruz (1977-1982), Porto Real do Colégio recebeu a passagem do Fogo Simbólico, ficando a pira na parte superior do coreto onde as autoridades municipais e os representantes do Fogo Simbólico acenderam a tocha e em seguida discursaram.
    Arquivo pessoal: Neusa Magalhães.
  • Nos tempos atuais, anualmente, é realizado a paixão de cristo pela juventude católica organizada pelo Grupo da Divina Misericórdia desde o ano de 2010. Não só a parte superior é usada, mas o entorno. 
    Via Sacra
    Dias atuais
É preciso conservar o coreto e restaurá-lo o quanto antes porque é do povo, tem História e memória e porque está protegido pela Lei Orgânica do Município de Porto Real do Colégio.

E esta é a proposta do Ceculc: que o coreto seja um espaço para saraus, encontros, apresentações musicais, atividades religiosas e outras ligadas ao mundo cultural e artístico, como prevê os artigos 153 combinado com o 154 da Lei Orgânica do Município de Porto Real do Colégio.

E, por último, que se mantenha o busto de Ademário Vieira Dantas, inaugurado no ano de 1979 já que esta praça também se encontra em reforma. A Av. Ademário Vieira Dantas foi uma via importante de fluxo de caminhões que transportavam toda a mercadoria vindo das Alagoas, indo para Sergipe através de balsas e de lá para muitas partes do Nordeste. O busto do ex-prefeito é a simbologia daquele período. Ele precisa apenas de restauração. Só isso, nada mais que isso.
SEÇÃO II
DA CULTURA

Art. 152º - O Poder Público Municipal manterá um Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico, Paisagístico e Cultural, órgão colegiado com a participação de representantes de entidades da sociedade civil, com a competência de adotar medidas para a defesa e a valorização do patrimônio histórico, artístico e cultural do Município.

Art. 153º - O Poder Público Municipal, promoverá programa de criação e utilização de equipamentos e espaços culturais de formação de público, e de estímulo à produção artística, assegurando ampla participação da comunidade artístico cultural local na gestão e nas decisões dos projetos e das atividades.

Art. 154º - O Poder Público Municipal promoverá a preservação da memória municipal e o apoio à cultura popular, garantindo-lhe o acesso aos recursos necessários para a livre expressão da criatividade do povo.

Art. 155º - O Poder Público Municipal estimulará o desenvolvimento das ciências, das letras e das artes, incentivará a pesquisa e o ensino científico e tecnológico, amparará a cultura e protegerá de modo especial os documentos, as obras e os locais de valor histórico ou artístico os movimentos e as paisagens naturais notáveis.

Art. 156º - Lei Complementar disporá sobre a proteção do patrimônio histórico, artístico, cultural e paisagístico do povo de Porto Real do Colégio, estabelecendo as condições de uso e de desfrute dos bens que o integram, bem como instituindo mecanismos de controle quanto ao tombamento, preservação e à guarda.

Art. 157º - Observado o que dispuser a Legislação Federal e Estadual, serão punidos todos os danos e ameaças ao patrimônio cultural da comunidade.

    Ronaldo Pereira de Lima
    Escritor e membro do Ceculc
1PEREIRA, Vinícius. Coreto: Origem, Apogeu e Decadência. https://www.entreriosjornal.com.br/coluna-coretos-origem-apogeu-e-decadencia-970. Acesso em 05 de julho de 2019,
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14 de mar de 2019

A pequena e a grande corrupção

Em um de seus livros, Plínio de Arruda Sampaio disse que [1]há dois tipos de corrupção, a grande e a pequena; mas que as duas são igualmente perniciosas e imorais, mas que não podem ser combatidas da mesma maneira.
A grande corrupção, mencionada por Plínio, é a que aparece no estardalhaço midiático envolvendo governos federal, municipal, estadual, distrital, políticos, servidores, particulares e heróis que não são de gibis, mas dos que somente enchergam a corrupção do outro.
Não é objeto deste artigo destaca-la, pois, a grande mídia se encarrega de fazê-la; utilizando-se da opressão publicitária, mexendo com os sentimentos alheios, fazendo muita gente acreditar em meias verdades. Foi assim com Lula, a prisão coercitiva e agora com a pirotecnia do powerpoint de Dallagnol.
Irei, no entanto, me ocupar da pequena corrupção, especificamente aquela que está entrelaçada ao contexto eleitoral, seja em campanhas ou em mandatos. Ela é ignorada pela grande mídia, pelo Judiciário e pelas instituições. Ignorada porque nada se faz de forma efetiva e eficaz para combatê-la.
Eu costumo chamar a pequena corrupção de comércio eleitoral. Ela é a espinha dorsal da grande corrupção, isto é, o que se pratica nos municípios do nosso país, de forma intensa ou não. Ele é caracterizado pela troca de voto por bens tangíveis (espécie de escambo), intangíveis (favores) e pela compra de voto (quando o eleitor prefere em espécie). Em minha escrita costumeiramente denomino esse conjunto de comércio eleitoral. Muitos justificam essa prática alegando que “o erro já vem de Brasília”, esquecendo-se que os que estão em Brasília não são eleitos por si.
É necessário que aqueles que queiram mudança procurem compreender o funcionamento do sistema, deixando de lado as ácidas críticas que para nada servem, e servem: para distanciar cada vez mais o cidadão de exercer os seus direitos políticos e dar espaço para coisas que acontecerem este ano, por exemplo, o dia 17 de abril.
Precisa o eleitor brasileiro fazer uma releitura da forma como o político é eleito. E essa releitura deve ser feita partindo do comércio eleitoral de base. Não é revoltando-se, esquivando-se que a coisa vai mudar. Não é discriminalizar a política, partidos, pessoas que as coisas serão resolvidas.
Precisa acabar com essa mania de enxergar a Política a partir das tribunas, das matérias de jornais, revistas, blogs e outros meios; fazendo dela inimiga da sociedade. É necessário conhecê-la na prática para que não se dê espaço para regimes ditatoriais e fascistas.
A mudança tem que vir da base e a base são os municípios, matrizes de todos os candidatos. E o que é que precisa ser mudado? As pessoas. Estas precisam mudar a forma de escolher. Enquanto essa mudança não acontece, as páginas impressas e online sempre trarão a prática da corrupção para as nossas vidas, expondo como muitos dos eleitos tratam-na com naturalidade e o povo com desdém.
É preciso espalhar uma maneira nova de pensar a política, não a partir do que nos oferece a grande mídia e os seus interesses escusos, mas a partir da realidade de cada município. Enquanto isso não acontece, é ilusão achar que “Todo poder emana do povo”.

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Os especialistas em suicídio

Tenho lido com certo desconforto “especialistas” que aparecem nas redes criticando de forma agressiva e desumana pessoas que cometeram suicídio ou estão depressivas.

Pessoas que se comportam dessa forma são insensíveis, tolas, prepotentes. Não desenvolveram a empatia, nem fizeram leituras aprofundadas dessa melancólica condição humana.

Ninguém é suicida de um dia para o outro. Tudo tem uma origem, um meio e um fim. As causas que levam uma pessoa ao suicídio são complexas, envolvem muitos aspectos da história psicossocial dela.

Quando você ouvir ou ler coisas negativas tratando desse assunto, não seja um ventríloquo, nem dê importância para elas. O melhor caminho é compreender. E só se compreende estudando, perguntando a quem de fato se dedica ao tema.

Eu, que não sou especialista, nem me atrevo a ser nas redes; li a   Inteligência Multifocal do Dr. Augusto Cury e ampliei o meu entendimento sobre o suicida. As pessoas que se acham, que se sentem uma fortaleza, que vociferam sobre isso; deveriam pousar suas línguas, seus pensamentos. Refletir sempre é bom para a alma e o corpo.
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24 de abr de 2018

Partido sem sigla


O meu partido é aquele que combate a fome e a miséria.

Que olha para os abandonados e excluídos.

Que tem o olhar atento para as minorias, os injustiçados.

O meu partido não tem nome, nem sigla porque ele percebe o outro, não defende heróis, nem privilégios.

O meu partido não aceita que uma classe subjugue a outra para pisotear.

Para mim o que importa é o outro, enxergá-lo, vê-lo não como inimigo; mas como alguém que está perto de mim, como se fosse o meu próximo.

E se algum tolo ler isso e me taxar de marxista, comunista, socialista, esquerdopata; que assim seja.


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27 de fev de 2017

Sistema de cumplicidade

Desde jovem, ouço críticas ácidas sobre os políticos. Essas críticas, com o passar dos anos, suscitou sentimentos de aversão e até ódio sobre aqueles que praticavam e viviam na política. Elas viam de cima para baixo e como a maioria dos brasileiros, estava cansado, revoltado e com sede de justiça.
Eu fui um jovem que sempre busquei compreender as coisas e Sofia me ajudou bastante nisso. Então, me debrucei sobre os livros. Queria respostas para as minhas dúvidas, os meus sentimentos; mas eles não me satisfizeram. Era preciso participar da política para saber como ela funcionava. E compreender, principalmente, por que políticos com vida pregressa maculada se perpetuam no poder
Nessa busca, compreendi que o nosso sistema político é um sistema de cumplicidade. É cúmplice o eleitor quando mercadeja o voto. É cúmplice o político quando aceita essa condição ou a impõe. O voto, nesse sistema, não cumpre sua função social, não elege políticos. Não passa de uma simples mercadoria. Nele, não dar para indigitar culpados, nem inocentes se levarmos em conta o modo como foram educados, a origem de cada um.
No cotidiano politico, defino esse sistema de comércio eleitoral, que nada mais é que mercadejar o voto. Pouco se fala nele, seja por ignorância ou má-fé. Ele pode ser dividido em compra e venda de voto; favores e financiamento. A sua prática é comum e visível em todos os municípios deste país. O Congresso é apenas a dimensão de tudo isso em situações muito mais complexas.
O sistema é péssimo, pois, abriu e abre espaço para que todo tipo de gente chegue ao poder. Ele facilita e pari a corrupção. Nesse sistema, o político acusa o eleitor de vender o voto e o eleitor acusa o político de não fazer nada por ele. E nisso, nosso país vive procriando políticos de toda espécie. Exemplo disso é o que estamos vivenciando em nossos dias.
Sei que, enquanto só se apontam os erros das tribunas e não se buscam mecanismos efetivos que sirvam de contraponto na reeducação política de nossas crianças, é tolo quem acredita em mudanças significantes nesta república ou que operações como a Lava Jato passará o país a limpo. Tudo bobagem! Tudo engodo!
É preciso entender uma coisa: políticos não são eleitos por si. É isso que se deve discutir. É isso que crianças, adolescentes e jovens devem compreender. Sem essa compreensão, o sistema permanecerá como se acha, camuflando-se de democracia.
Em vez de empaturrarem as redes de picuinhas, links e discursos fascistas ou se tornando papagaios midiáticos para descriminalizar a política e demonizar pessoas, deveriam abrir espaço para a discussão do sistema de cumplicidade. É ele que precisa ser combatido com veemência. No dia que a sociedade passar a discuti-lo e criar mecanismos de enfrentamento contra esse sistema, muita coisa mudará neste país.
Por falta dessa discussão, o que se ver é o saudosismo militar, a extrema direita tomando folego, os partidos atolados em escândalos, os movimentos sociais lutando para que as conquistas sociais não sejam retiradas. Mas nenhum desses discutem o sistema de cumplicidade, não propõe o combate a corrupção de base, matriz de todas as outras corrupções. Preferem a passividade. Preferem ser ventríloquo, preferem enxergar a corrupção do outro. Ilude-se quem acha que o problema da corrupção do nosso país seja exclusivo de políticos ou de partidos.
E concluo com esta questão: se os candidatos, que não são eleitos por si, fossem eleitos sem a prática do comércio eleitoral, a maioria dos nossos políticos seriam honestos e qualificados? Acredito que sim.
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