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Mostrando postagens com o rótulo Poesia

Velas Náufragas

Diego Mendes Sousa A obra "Velas náufragas" (Editora Penalux, 2019) de Diego Mendes Sousa é um epilírico dividida em duas partes: "Alma litorânea" e "Coração costeiro". Herdeira da "Mensagem" do poeta português Fernando Pessoa, "Velas náufragas" é uma arrebatada devoção ao mar e à natureza. A poesia de Diego Mendes Sousa é vertical e instaura as palavras com a força do sentimento, que guarda também a memória e a infância. O poeta piauiense canta a terra natal, Parnaíba, santuário do Delta do Rio Parnaíba, e inventa um universo paralelo chamado Altaíba, com "seres aladinos", como quer a magia e o testamento desse notável poeta. Extremamente simbólica e barroca, apesar de os versos serem livres, brancos e em desordem aparente, a poesia crescida na visão peculiar de Diego Mendes Sousa ressucita a metáfora do tempo e a profusão dos sonhos, pois os seus versos são doídos e são anímicos. São também sonoros e imagéticos. P

Descortinado Luar

Jane Guimarães Exuberante luar de mistérios, encanto prateado, rainha da noite. Senhora dos sonhos descortinados germina poesia. Lua desnuda reflete a beleza, fulgurante brilho celestial incandescente. Ressoam eternos murmúrios dos amantes. Vale teu sono a noite inteira e retorno de um amanhecer.

Dualismo

Se não houver uma conscientização coletiva no fazer político Se a contradição da facilidade e das exigências políticas não forem desfeitas Se o voto continuar na balança e a sociedade não se organizar em núcleos de reeducação política Se a expressão “rouba, mas faz” não for excluída Se o convencimento pueril de que a corrupção é um elemento cultural O estardalhaço midiático só venderá As crônicas não chegarão aos mais simples E o poder nunca virá do povo, mas de uma relação comercial

Biana

Uma boca tão linda Mas cancerígena Uma pele tão suave Mas cheia de fumaça Às mãos tão macias Mas cheias de nicotina A roupa que era tão Mas tão cheia de fumaça A vida cheirando a câncer A fumaça.

O analfabeto político

O pior analfabeto É o analfabeto político, Ele não ouve, não fala, Nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo da vida, O preço do feijão, do peixe, da farinha, Do aluguel, do sapato e do remédio Dependem das decisões políticas. O analfabeto político É tão burro que se orgulha E estufa o peito dizendo Que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política Nasce a prostituta, o menor abandonado, E o pior de todos os bandidos, Que é o político vigarista, Pilantra, corrupto e lacaio Das empresas nacionais e multinacionais. Bertold Brecht, alemão, 1898-1956

A menina que passa

Lá vai a menina que passa E os meus olhos que pregam uma peça em frente da praça Lá vai todo o encanto Que é livre quando canto ao meu amor E todos olham na praça Que eu, passo a passo, vou com pressa. Lá vão os meus pensamentos Todo mágico, todo humano Que foge e se abafa de tanto lamento Lá vai o meu sorriso com o vento Com cara de bento E uma angústia por dentro Lá vai, lá vai e as minhas lágrimas Não vão, e você menina, lá vai. Lá vou eu, Com a menina que passa, As mãos que passam e os pensamentos que montam uma peça No meio da praça. Não me peça menina que passa, a minha face E todos te olham e me olham. Mas entendam: ela é a menina que passa com muita pressa pela praça (LIMA, Ronaldo Pereira de et all. O lugar da poesia e da prosa: Antologia , pp. 22-23. Rio de Janeiro: Taba Cultural, 2008).

Meninos de algodão

Pense nos meninos rotos Que sonham com bolas douradas Pensem nos raimundos Que sonham com algodão doce Pensem, pensem Olhem quanto doce branco há no céu Olhem para os meninos Que não tem céu Pensem na bola que rola Nas bolas douradas de sorvete Que bóiam no céu Olhem para o raio do mundo Meninos no corpo, mas pés no chão (LIMA, Ronaldo Pereira de Lima. Agonia Urbana . Rio de Janeiro, CBJE, 2008)