18 de ago de 2008

A depressiva



Estava sentada na cadeira. No olho esquerdo, uma remela esverdeada denunciava o descuido. A face, abatida, expunha a dor, a tristeza contida no peito.

O lado direito perdera o movimento por causa de um derrame. Não costurava mais, não lavava a louça, nem punha na mesa o café para os filhos e para o esposo. Aquilo traspassava a sua alma e a reduzia a infelicidade.

As lágrimas, companheira da solidão e da angústia, não mediam esforços para torná-la ridícula para os incompreensivos. E não eram só as lágrimas que entrou em sua vida, mas os antidepressivos, a impaciência e o murmúrio. 
Mas, em meio a essa "tempestade", sobrevivia com poucas e nobres lembranças que não voltam mais.

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