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3 de set. de 2011

Pegou carona na fama e publicou um livro

Assisti a um vídeo de um determinado indivíduo que se sentia escritor, desses que pegam carona na fama e resolvem publicar alguma coisa, seguindo aquela ideiazinha que uma pessoa só é completa se plantar uma árvore, parir um filho e escrever um livro.

Esse “escritor”, com ironia e desdém, criticava outros que; segundo ele, se sentiam especiais, intocáveis, julgando-se acima das pessoas como se semideuses fossem. Até a presente data e nas minhas andanças não encontrei nem um desses escritores descritos com as características mencionadas.

A primeira coisa que tenho a dizer a esse tipo de “escritor” é o seguinte: o verdadeiro escritor não se apropria da fama para ser escritor. Ele é apenas escritor. A palavra é o seu instrumento de cultivo diário.

O escritor, o verdadeiro escrito é diferente e nunca melhor que as outras pessoas. Sente as mesmas necessidades fisiológicas que elas. E por que é diferente o verdadeiro escritor? Porque capta a emoção do outro, vivendo-a como se fosse sua; externando-a através da palavra, dizendo o que pensa daquela emoção vivida. Ele é um leitor voraz, nunca esporádico, da própria vida e das vidas que o cerca.

De uma palavra cria um poema, de uma frase uma crônica, um conto, uma novela, um romance. A sua cabeça é úmida de água onde estão as palavras, loucas para serem postas em algum texto.

Por isso esses “escritores” que se apropriam da fama para dar certas declarações não passam de falsos escritores, achando-se conhecedor desse mundo rico de emoções.
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3 de jun. de 2011

Bisonho literário


Desde os 18 anos de idade que rabisco alguns versos, aventuro-me na crônica e contos. Venho nesta teima: das linhas dos cardenos, das pontas das canetas para o Word e os dígitos. Essa teima já me rendeu três livros, três antologias, alguns textos publicados na imprensa local e péssimas frustrações.

A primeira delas ocorreu em 2003. Por meio de um jornal, desses que se intitulam literário, denominado Jornal Cultural Mensageiro conheci uma “editora” denominada Opção 2. Ela oferecia serviços de impressão com tiragem mínima de 50 exemplares. Ao ler o anúncio, meu entusiasmo literário emergiu.

Com posse do dinheiro em mãos para pagar a edição do livro, convidei mais escritores do município para participarem da Minicoletânea de Escritores Colegienses. Os textos ficaram sob a minha responsabilidade. Eu os “organizei” e os enviei para essa “editora”. Ora, eu era um noviço no assunto. Não conhecia a dimensão jurídica, muito menos comercial a que estar sujeita a publicação de um livro. Mas meu “editor” com aquela ideia pueril que os textos dos autores são intocáveis não opinou sobre a capa, sobre o miolo, muito menos sobre ISBN, Ficha Catalográfica, Depósito Legal. A única coisa que ele me perguntou por telefone foi se eu havia feito à correção gramatical. Ora, sem experiência alguma ou formação na área, apenas lhe disse que havia dado uma olhada; mas não imaginaria que ele confeccionasse o livro da forma como eu o havia enviado.

No prazo estimado pela “editora”, o livro chegou. Melhor dizendo, um livreto. A princípio fiquei alegre, até porque meus escritos estavam impressos. Mas quem primeiro fez as observações na obra foi o patrocinador. Reclamou da espessura e da má organização dos textos. Quando comecei a folhear cuidadosamente o livro, notei outras falhas: páginas da folha de rosto, da dedicatória, de agradecimentos, de sumário e da apresentação estavam numeradas. Portanto, sem seguir as normas técnicas. Além disso, não havia ISBN. O livreto só existia para mim, os coautores e poucos amigos que ganharam a obra de presente.

Essa foi a minha primeira experiência com livros e resolvi partilhar para aqueles que queiram publicar. Existem muitas prestadoras de serviços por aí se passando por editora, oferecendo serviços de quintal. Mas há muita editora séria no mercado que trabalha com pequenas tiragens. Cabe aos interessados fazer uma pesquisa cuidadosa antes de enviar um original.

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Vendedor de livros


Pião atendia alguns clientes e demonstrava euforia, muitas vezes forçada, tão comum entre os vendedores. Ele me avistou, acenou com a mão e disse:
— Pião, quer alguma coisa?
— Não Pião. Por enquanto não! Tenho algo para mostrar a você.
— O que é? Este livro de minha autoria. Ele será muito útil para os seus filhos, pois, como eles estudam; irão precisar.
— É, Pião, eu não enxergo quase nada sem óculos. Mas como o Pião sempre tá por aqui; vou ajudá-lo. Não custa nada demais ajudar um amigo.
Dito isso, foi à gaveta, tirou R$ 10,00 e pagou o livro. Saí e parti para outro estabelecimento, desta vez uma miniperfumaria. O proprietário, quando me viu, foi dizendo:
— Depois vou lá para acertamos aquele negócio.
— Ora, não se preocupe. Quando você puder, apareça. Mas não vim aqui falar deste assunto. Estou aqui para lhe oferecer este livro de minha autoria, que lhe falei outro dia.
— É, deixe-me ver.
Eu o observava, enquanto ele folheava o livro. Depois, fez um pequeno comentário sobre a obra. Mas ele me surpreendeu com uma indagação súbita e violenta:
— Foi você mesmo que escreveu este livro?
— Sim, fui eu. Por quê?
— Por nada!
Abriu a carteira, tirou R$ 10,00 reais, ficou com o livro e disse:
— Sempre que houver um tempinho, irei ler.
A ele nada disse, apenas o agradeci e me fui com a pergunta dele pendurada nos neurônios.
Dezembro de 2006.
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