Senado do povo, como povo

Ouço quando os colegas opinam, melhor dizendo, repetem o que há nos recortes de jornais impressos, televisivos e revistas; mas sem nenhuma opinião crítica. E, a opinião que não são deles é que os políticos são um bando de gatunos e canalhas e aquele fuzuê não daria em nada.

Eu apenas os observo e penso: Os homens que ocupam os assentos do Senado foram eleitos pelos estados para representá-los. Vale lembrar que a maioria deles está em Brasília, vai à tribuna, elaboram belos discursos; apesar de não merecê-los. Estão naquela posição privilegiada não por mérito, mas porque comprou currais eleitorais.

Todos os brasileiros sabem que a briga no Senado é uma briga de interesses pessoais e jamais político. Se político fosse, tanto as representações contra Sarney seriam apuradas assim como a de Arthur Virgílio. Por meio de acordos que não são mais estranhos, mas tão íntimo entre eles é que elas (as representações) foram arquivadas. Aquela briga espelha a imaturidade política do eleitor brasileiro, a pandemia da corrupção e a imoralidade.

Penso que antes de repetir recortes dessa vergonha, imoralidade e podridão do Senado; é necessário que cada cidadão eleitor repense os seus valores éticos, morais. De nada vale criticar nas ruas, nas entrevistas, nas praças, em casa, no trabalho se, na hora de votar, a maioria vende e outra compra voto.

Cidadão que vende voto e que compra voto é amoral. Não tem o direito de criticar os políticos. Porque se eu vendo o voto para o corrupto, eu estou sendo corrupto, gatuno, larápio. Se eu transfiro o contrato constitucional elencado no art. 1º, V, § Único da CF que diz: "Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos, ou diretamente, nos termos desta Constituição"; como irei exigir deles a moralidade, a ética, a probidade, a impessoalidade das coisas públicas se esses princípios faltam em mim?

As eleições brasileiras, seja de competência da União, Estados e Municípios; são complexas porque envolve vários elementos: as escolas que não formam cidadãos para a vida política, mas para o mercado consumidor, aqueles que fizeram do voto um negócio milionário e um Judiciário dual, isto é, uma parte corrupta e apta que contribui para que o banditismo político eleja e se reelejam.

O voto, na situação atual histórica, nada mais é que uma simples mercadoria externada nas prateleiras dos celeiros municipais. Por isso o Senado é do povo, come povo.

Publicado no Recanto das Letras. (http://recantodasletras.uol.com.br/autores/ronlim)

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