7 de fev. de 2020

Dez bons conselhos de meu pai para cidadãos honestos e prestantes

Meu pai nunca me deu estes conselhos da forma sistematizada que está aí. Mas deu todos. Inclusive mostrando como era que se fazia. Acho que ele não se incomodaria por eu passá-los adiante, pois ele também tinha muita consciência política.

1.       Não seja tutelado
Não permita que as pessoas resolvam as coisas por você, por mais que o problema seja chato de enfrentar. Não finja que acredita em nada do que não acredita, não deixe que lhe imponham uma opinião que você está vendo que não pode ser sua.
2.       Não seja colonizado
Tenha orgulho de sua herença, não seja subserviente com o estrangeiro, não se ache inferior. Como o que gostar, fale como gostar, vista-se como gostar - seja como seu povo, não seja macaco.
3.       Não seja calado
Seja calado só por educação, até o ponto em que isto não o prejudicar. Se prejudicar, só cale a boca quando deixar de prejudicar. Não seja insolente e não tolere a insolência.
4.       Não seja ignorante
Não ser ignorante é um dos mais sagrados direitos que você tem e, se você não usa voluntariamente esse dreito, merece tudo o que de adverso lhe acontece. Se você sabe fazer bem o seu trabalho e conduzir corretamente sua vida, você não é ignrante. Mas, se recusar todas as oportunidades possíveis para aprender, você é. Se lhe negam o direito a não ser ignorante, você tem o direito de se rebelar contra qualquer autoridade.
5.       Não seja submisso
Reconheça suas faltas, mas não se humilhe. Não existe razão na Natureza que diga que você tem de ser submisso a qualquer pessoa. Toda tentativa de submetê-lo é muitíssimo grave.
6.       Não seja indiferente
Ser indiferente em relação ao semelhante ou ao que nos rodeia, quer você seja religioso ou não, é um dos maiores pecados que existem, porque é um pecado contra nós mesmos, um suicídio.
7.       Não seja amargo
As coisas acontecem, acontecem, ficam acontecidas. Se você for amargo, essas coisas continuam acontecendo. Construa sempre.
8.       Não seja intolerante
Alegre-se com a diversidade humana. Procure honestamente entender os outros. Só não seja tolerante com os inimigos conscientes e comprometidos com o seu fim.
9.       Não seja medroso
Todo mundo tem medo, mas pessoa não pode ser medrosa. Para viver e fazer, é necessário manter uma coragem constante e acesa. Isto consiste em vencer a própria pequenez e é um dever e uma obrigação para com nós mesmos.
10.  Não seja burro

Sim, não seja burro. Normalmente, quando você está infeliz, você está sendo burro. Quando você está sendo explorado, você é sempre infeliz.

 RIBEIRO, João Ubaldo. Política: quem manda, por que manda, como manda. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.
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31 de jan. de 2020

Ron Perlim - I Encontro de Escritores do Agreste Alagoano

Girleide, Carla, Carlindo, Cárlisson
Fui ao I Encontro de Escritores do Agreste Alagoano, organizado pelo escritor José Rocha na Casa da Cultura, em Arapiraca, Alagoas. O Evento aconteceu no dia 25 de janeiro de 2020. Cheguei no final de uma rodada de escritores, composta por Carla Emanuele (presidente da Acala), professor Carlindo Lira, Girleide Alves, Ademilson Leandro e Cárlisson Galdino que expunha seu trabalho de cordelista. Me chamou a atenção a forma como ele leu seus cordéis. Fiquei, de pé, ouvindo a leitura engraçada de seus textos que tanto agradava a plateia. Encerrada a vez deles, houve a segunda rodada, onde eu me incluía.

Flaviana Wanderley, Flaviana Costa, Dennys, Odilon, Ron Perlim, Elias
Nessa segunda parte e última do evento no período da manhã, sentaram-se à mesa Flaviana Wanderley, Flaviana Costa, Dennys, Odilon dos Anjos, Ron Perlim e Elias Barbosa. Antes que os escritores fizesse uso da palavra, a professora Magda fez divulgação da I Antologia Arapiraquense, explicou os pontos relevantes do edital para inscrição e encerrou, divulgando o Instagram daquela antologia. Encerrada essa parte, o primeiro escritor a fazer uso da palavra foi Elias Barbosa. Por ser militar e estar fardado no evento, logo chamou a atenção. Expôs seus livros e comentou um a um, todos ligados a fatos relevantes que marcaram a História de Alagoas, como o caso do cabo Anselmo e da deputada Ceci Cunha. Em seguida, o jovem Dennys falou um pouco de si e leu um de seus poemas. Na sequência, o microfone foi parar nas mãos de Flaviana Wanderley. Ela afirmou que jamais pensou em ser escritora, mesmo sendo formada em Pedagogia, mas se surpreendeu quando viu um de seus textos (Deusa dos Lábios de Fogo) publicado na Antologia Palmeirense.

Flaviana Costa levantou-se da cadeira, dirigiu-se a plateia e declamou um cordel de exaltação a vida, a Jesus e a esperança. Feito isso, voltou para a mesa, sentou-se e não fez uso do microfone. Acostumada a dar palestras, acostumada ao giz, falava de forma que todos ouviam claramente. Sua história de vida comoveu aqueles que atentos estavam. Sua capacidade de resiliência serviu e serve de exemplo para os que vivem no desterro. Os fatos violentos que sofreu, o coma, o suicídio me fez lembrar do livro de crônicas, escrito por mim, Foi só um olhar. Livro este lido por uma amiga que ficou estarrecida com os textos. Flaviana encerrou sua fala emocionada.

Em seguida, foi o jovem Odilon dos Anjos. Relatou que a escrita foi importante para ele superar um período de depressão em sua vida. Ele publicou um livro artesanalmente e um de seus textos, lidos por mim naqueles instantes, me fez lembrar dos meus textos quando iniciei a minha escrita literária.

Ron Perlim: auditório da Casa da Cultura
Finalmente chegou a minha vez de falar para a mesa e as cadeiras da plateia. Iniciei de forma pausada, destacando 5 itens que julguei importante enquanto ouvia os meus colegas, que são: 1 - Precisa o escritor de formação para ser escritor? 2. Existe uma elite literária? 3. Há escritos bobos? 4. O que seria inspiração? e 5. A leitura de livros de ficção serve para alguma coisa?. Respondi cada uma delas nestes termos: 1 - Há quem acredite que sim. Há os que acreditam que não. Eu só o do não. Explico: a primeira formação do escritor parte de dentro para fora, mas se ele não souber usar as palavras, morre antes de nascer. E para não morrer, precisa ler, ler, ler. Escrever, escrever e escrever. 2 - Se existe uma elite literária em Maceió, eu não saberia especificar até porque não vivia por lá. Vivia mais em Aracaju. Em Aracaju não tive problema alguma com isso, talvez por causa do Prêmio Alina Paim de Literatura Infantil/Juvenil que recebi no ano de 2010 com o livro Laura, só publicado no ano de 2011 e lançamento em 2012. 3 - Sobre os escritos bobos falei que toda escrita, quando iniciada, parece boba. Só a prática da escrita e reescrita (Como as lavadeiras de Graciliano Ramos.) conferi identidade ao escritor com o passar do tempo. 4 - Há quem acredite que seja algo divino. Há quem não. Eu só do não. Para mim inspiração é a materialização de leituras anteriores. 5 - Sim. A leitura dos livros, seja de ficção ou não, serve para muita coisa. Por exemplo: eu escrevi o livro A menina das queimadas. Um conhecido comprou um exemplar. Andando outro dia pela rua, eu o encontro e ele me disse: "Quero agradecer você". Perguntei-lhe: "Por quê?". E ele respondeu: "Eu tava meio desanimado. Depois que li o livro A menina das queimadas, minha auto estima mudou. Obrigado por ter escrito esse livro". Então é isso: não importa a quantidade de leitores que você terá ou tem, mas o que os seus livros representarão para eles. Era isso o que eu tinha para dizer.

Agradeço aos que aqui se encontram, a José Rocha e demais organizadores deste evento. Foi uma satisfação participar, conhecer gente nova e espero que outros eventos assim aconteçam para que possamos compartilhar experiências. Obrigado.

O evento, no período da manhã, encerrou-se com sorteio de livros e cordéis.

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29 de nov. de 2019

Ron Perlim participa do Projeto de Leitura: A Arte de Contar História - II


Alunos da Cooperativa Educacional Criança Feliz

 
No dia em que Ron Perlim foi homenageado pelo Projeto Leitura: A Arte de Contar História, a Escola Cooperativa Educacional Criança Feliz, mantida pela Igreja Batista Tradicional, visitou o espaço onde havia livros do autor, capítulos materializados do livro A menina das queimadas e uma recepção calorosa das alunas Raissa e Mirella. Ron Perlim agradece, não só aos alunos e professores daquela cooperativa, mas aos alunos e professores do Centro Educacional e da Escola Santa Terezinha que deixaram as suas salas para participarem do evento e demais pessoas.
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16 de nov. de 2019

Ron Perlim participa do Projeto de Leitura: A Arte de Contar História


O escritor Ron Perlim foi homenageado no Projeto Leitura: A Arte de Contar História no dia 14 de novembro de 2019 na cidade de Porto Real do Colégio, Alagoas. O evento aconteceu na Escola Municipal de Ensino Fundamental Profº. Ernani de F. Magalhães. Em sua homenagem, o livro A menina das queimadas, cujo enredo se passa na cidade de Cedro de São João, SE e narra as histórias de Zélia de Oliveira Rocha, falecida e sogra do autor, foi trabalhado em sala de aula e cada equipe foi responsável por um capítulo.
Raissa, Ron Perlim e Mirella

Assim que o autor chegou, foi recepcionado pelas alunas Raissa e Mirella. Elas citaram uma nota biográfica do autor, falaram da principal personagem (Zélia de Oliveira, sua sogra) e presentearam-no com uma plaquinha contendo a foto do livro. Ron Perlim percorreu todo o espaço, cumprimentou alunos, os parabenizou. Apreciou tudo o que viu: as maquetes da quermesse e da Lagoa Salomé, a exposição dos seus livros, a parte lúdica da cabacinha de ouro, o leilão de prendas, as vendedoras da bala queimada. 
Livros de Ron Perlim

Lagoa Salomé - Cedro de São João, SE.

Quermesse, Cedro de São João, SE.

Vendedora da bala queimada

Leilão de Prendas
Cabacinha de Ouro

Passado esse momento de reconhecimento dos capítulos do livro A menina das queimadas, foi a sua vez de palestrar sobre a importância dos livros e da leitura. Iniciou a sua fala lendo para os alunos trechos do primeiro capítulo, onde se pode ler: 
Meu primeiro dia de aula
Eu vivia aperreando mamãe para que ela me deixasse estudar, mas ela não queria que eu estudasse, porque era para eu tomar conta da casa e de meus irmãos. Eu insistia, mas ela nem ligou para o que eu falava. Cortava o assunto e dizia:
Não me amole com essa conversa. Procure alguma coisa pra fazer, avi!
Triste, fui ao terreiro pedir a meu pai, mas ele dizia:
Resolva isso com sua mãe. Ela é quem sabe de sua serventia dentro de casa.
Eu já falei com ela. Mas ela não quer que eu vá estudar. Vá, pai! Deixe eu estudar!
Se sua mãe já decidiu, está decidido. Agora, deixe de me amolar e procure o que fazer!
Dito isso, me deu as costas e continuou os seus afazeres. Desesperada, recorri à minha avó que não colocou arrodeio. Ela pegou em minha mão, beijou a minha testa e disse:
Não se preocupe, minha filha. Vá para casa e fique sossegada. Quando eu voltar da missa, conversarei com seus pais e tirarei essa história a limpo.
(...)

Feito isso, dialogou um bom tempo com o alunado do Centro Educacional e de outras instituições mostrando para eles através de experiências pessoais e de terceiros o quanto a leitura e os livros são importantes para as nossas vidas. Encerrada a palestra, o autor que estava acompanhado da esposa e do filho, despediram-se dos responsáveis, agradeceram pela homenagem e saíram para participarem de outras manifestações culturais que aconteciam no local.
Índias Kariri-Xocó e família MarRon


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11 de nov. de 2019

Ron Perlim palestra no I Sarau Viajando na Leitura: Café com Letras

O escritor Ron Perlim esteve na noite do dia 08 de novembro de 2019 na Escola Estadual Joaquim de Oliveira Campos na cidade de Amparo do São Francisco a convite da coordenação daquele projeto. Foram exposta uma galeria de escritores mirins e uma exposição de seus livros. Houve declamação de poesias e peças teatral. Ron perlim achou interessante o projeto desenvolvido naquela escola. Aproveitou a ocasião e falou para pais, parentes, amigos e as próprias crianças da importância do livro e da leitura.
 














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4 de nov. de 2019

Ron Perlim bate-papo com alunos da Fundação Bradesco

Ron Perlim esteve na escola de Ensino Fundamental e Médio Fundação Bradesco na manhã do dia 04 de novembro de 2019, onde estudou nos meados dos anos 90, para bater papo com o alunado daquela instituição.
Ron Perlim fala do livro O povo das águas
Falou da importância que tem os livros para a vida, não somente de quem vive na escola, mas de todos. Deixou claro que o livro são guardiões do saber, das experiências de quem os materializa. Destacou que a leitura dos livros didáticos são para a vida profissional, enquanto os de ficção não é exclusivo dos clichês "Ler é bom", "Ler enriquece o vocabulário" e "Nos faz passear, viajar por outros mundos", mas destacou os benefícios que a leitura traz para a vida acadêmica, enriquecimento pessoal, ampliação do conhecimento e compreensão de coisas que acontecem...


Depois de falar da importância do livro e da leitura, a palavra ficou para quem dela quisesse fazer uso. E muitos alunos fizeram. O bate-papo foi agradável e útil. 

O evento foi encerrado com a entrega de premiação para os alunos que mais se destacaram com a prática da leitura.



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30 de out. de 2019

Quem eram os tipógrafos

A arte da impressão envolvia uma série de conhecimentos diferentes: mecânica para as prensas, fundição para as ligas, fabricação de papéis, formulação das tintas, técnicas de encadernação, conhecimento de diagramação, arte, além de muita cultura, conhecimento de outras línguas e escritas. Por tudo isso, os impressores, calígrafos e escribas era pessoas muito especiais e de grande importância na sociedade europeia. Constituíam uma elite de intelectuais que trabalhavam com as tecnologias mais modernas da época e não paravam de inventar máquinas, materiais e processos de fabricação. Mas também eram mestres da estética, pois o desenho das letras exige vastos conhecimentos de arte, desenho, geometria e estética. Para finalizar, nossos heróis eram pessoas de grande cultura, pois falavam, escreviam e criavam letras em várias línguas e escritas, não raro idiomas extintos. Por tudo isso, muitas vezes até as leis eram “adulteradas” em benefício dos artistas da letra.
A história de Francesco Griffo é um exemplo da importância dos tipógrafos na sociedade renascentista. Conta-se que Griffo desapareceu de circulação após ter matado seu genro em uma discussão familiar. Se a lei fosse aplicada, Griffo teria sido condenado à forca, por assassinado. Mas inexplicavelmente depois do sumiço de Griffo, muitas das fontes desenhadas por ele continuaram a aparecer no mercado. Uma das versões contadas é que, pela sua importância, Griffo não foi condenado à forca. Diz-se que seu nome foi mudado e ele continuou a viver na mesma casa, trabalhando em paz por muitos e muitos anos. Mas trabalhando em quê? Griffo, grifo, grifado. Pelo nome já deu para ver que a letra grifada ou itálica foi inventada por ele. Ou letra cursiva – cursiv, como chamam os alemães. Grifo não só inventou as primeiras letras itálicas como também entalhou os primeiros tipos itálicos desenhados por Aldus Manutius que, juntamente com Ludovico degli Arrighi da Vicenza (Vicentino), formavam o trio de mestres que lançaram as itálicas mais conhecidas.

HORCADES, Carlos M. A Evolução da Escrita: História ilustrada. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Senac Rio, 2007. pp. 56-57.
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22 de out. de 2019

Velas Náufragas

Diego Mendes Sousa
A obra "Velas náufragas" (Editora Penalux, 2019) de Diego Mendes Sousa é um epilírico dividida em duas partes: "Alma litorânea" e "Coração costeiro". Herdeira da "Mensagem" do poeta português Fernando Pessoa, "Velas náufragas" é uma arrebatada devoção ao mar e à natureza. A poesia de Diego Mendes Sousa é
vertical e instaura as palavras com a força do sentimento, que guarda também a memória e a infância. O poeta piauiense canta a terra natal, Parnaíba, santuário do Delta do Rio Parnaíba, e inventa um universo paralelo chamado Altaíba, com "seres aladinos", como quer a magia e o testamento desse notável poeta. Extremamente simbólica e barroca, apesar de os versos serem livres, brancos e em desordem aparente, a poesia crescida na visão peculiar de Diego Mendes Sousa ressucita a metáfora do tempo e a profusão dos sonhos, pois os seus versos são doídos e são anímicos. São também sonoros e imagéticos. Poesia cuja grandeza está na universalidade de ser telúrica e espantosamente inovadora. Os cantos e as líricas de "Velas náufragas" tomam, de imediato, o seu leitor de assalto, porque a sua linguagem é de raiz, provocante, bela e inusitada; pura invenção interior e espelho de uma alma que "possui terra dentro", como ressalta o Imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), Carlos Nejar, na leitura de contracapa do livro "Velas náufragas".

Deguste devargazinho este poema do Diego como se estive às margens do algum rio ou n'alguma praia:

Ser Dor Mar
Cosmonave de um coração costeiro
que navega na preamar da dor
na maré do amor
no mar do ser
meu alterego
a dor-mar
a domar
os sargaços
de um sal salgado
de um sol solstício
de uma lua lunática
que passa na alma
de enseada
Meu coração aberto
nas praias do sonho
litoral de aberturas
ao mundo

SOUSA, Diego Mendes. "Ser dor mar". In:_____. "Opus II: Coração Costeiro". In:_____. Velas náufragas. Guaratinguetá, SP.: Penalux, 2019.

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28 de set. de 2019

V Bienal do Livro de Itabaiana

Família MarRon com Saracura
A família MarRon esteve na V Bienal do Livro de Itabaiana/SE no dia 15 de setembro de 2019. Estivemos com nosso amigo Saracura e o seu Pássaros do Entardecer. Romance que tive a honra de ler antes da publicação e opinar sobre ele. Uma gostosa leitura sobre os migrantes itabaianenses como descrita na sobrecapa do livro:
"Esta é a história aventurosa de um navegador pelos céus de Itabaiana, do Brás, de Rancharia e até do Paraguai... em busca de uma árvore onde pousar  (uma noite ou a vida inteira); a busca incessante de um canto onde tremule a ilusão de uma vida melhor. É uma epopeia narrada em versos pelo poeta Omerin, cordelista, de quem você ainda ouvirá falar, e em prosa, ditada pelo próprio navegador a um copista de Itabaiana que tem a mania de maquiar oitivas com palavras e sentenças de duvidoso gosto. Omerin que o diga!".
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21 de set. de 2019

O São João do Nordeste

 
Por Cleno Vieira
No São João do Nordeste 
tem de tudo até de mais
temos milho, munguzá e canjica 
para só de milho o povo saborear. 

Temos o famoso quentão
que é servido de coração 
pro cabra ficar animadão.

A veneração aos santos
Antônio, João e Pedro,
são pra lá de especiais 
mais o que abrilhanta a festa 
são as quadrilhas nos arraiás.

Nesse mês junino 
temos o santo casamenteiro
de Propriá ele é nosso 
padroeiro, pra não haver            
desespero, rogue a
Antônio um amor verdadeiro.

Logo em seguida 
vem o menino São João 
com o cordeiro na mão é exaltado,
mas tudo fica animado 
quando os fogos são queimados.

Pra não deixar queimar
o Nordeste, vem São Pedro 
alegrando o sertão 
e com a linda chuva 
alegra-nos o coração.

Pra terminar o mês junino 
é celebrado São Paulo 
que por poucos é venerado
mas pense em um santo arretado.

Pra mode não demorar 
eu já vou terminar, 
dizendo que o São João 
é cultura e tradição,
que no Nordeste 
é bem cultuado,
se depender de mim 
seu moço o São João 
será sempre lembrado.
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14 de set. de 2019

É em casa que se aprende a barganhar


“O candidato foi à casa do meu avô. Meu avô pediu certa quantia em dinheiro. Ele disse que voltaria, mas meu avô esperou, esperou, esperou e ele não apareceu. O outro candidato foi conversar com meu avô, pediu um prazo para arrumar o dinheiro. Ele arrumou o dinheiro e todo mundo lá em casa vai votar nele. Ele é quem vai ganhar a eleição”.

A citação acima mencionada compõe uma minúscula parte de um gigante texto do fazer político deste país. Nela, nota-se três gerações: a do avô, a dos pais da criança e a da própria criança que fala naturalmente da prática do comércio eleitoral com entusiasmo, torcendo pelo candidato que “(...) arrumou o dinheiro (...)”.

Faz algum tempo que escrevo a respeito desse comércio e sempre procuro descrevê-lo com base em experiências. Não quero nelas fazer simples descrições, mas propor reflexões. O eleitor brasileiro tornou-se dualista e objeto de disputas ferrenhas de políticos profissionais.

A fala acima deixa explícito a prática da corrupção passada de geração para geração, tornando-se uma oportunidade para o benefício pessoal. E não pense ninguém que a fala daquela criança está entrelaçada com a pobreza, com a fome. Engana-se quem assim pensa, quem produz charges e vídeos com tais características, pois, a individualização do voto não escolhe a cor, a classe, o poder aquisitivo.

As palavras da pré-púbere são límpidas e cândidas, pois, ao encher a boca com entusiasmo não compreende que essa prática tão comum (confundida como elemento cultural) afetará toda a estrutura organizacional da sociedade da qual faz parte, pois, eleitor que negocia o voto não só descaracteriza o poder que emana do povo, mas macula toda uma sociedade que padecerá com atos ilegais praticados pelo Legislativo e Executivo.

A pré-púbere, filha de uma professora, segue sua fala sem dar aparte a ninguém, dizendo: “O candidato foi a casa de minha mãe. Ela disse que só votaria nele se ele desse um emprego pra ela (ela é servidora pública) porque ele tinha prometido na eleição passada, ganhou e não cumpriu com a palavra”.

PERLIM, Ron. Viu o home? Rio de Janeiro: Letras & Versos, 2015.
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7 de set. de 2019

As opiniões do jornais são as suas opiniões?


As opiniões dele são as opiniões dos jornais (grifo meu). Como, porém, essas opiniões variam, padre Silvestre, impossibilitado de admitir coisas contraditórias, lê apenas as folhas da oposição. Acredita nelas. Mas experimenta às vezes dúvidas. Elas juram que os homens do governo são malandros, e ele conhece alguns respeitáveis. Isso prejudica as convicções que a letra impressa lhe dá. Necessitando acomodar as suas observações com as afirmações alheias, acha que os políticos, individualmente, são criaturas como as outras, mas em conjunto são uns malfeitores.


RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2008. p.150.
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4 de set. de 2019

Pai

1Por Cleberton Santos
Feira de Santana, 04 de setembro de 2018.

Meu pai,
Vamos lavar as pedras,
Sim, vamos lavar as pedras,
Para retirar as impurezas da alma,
As impurezas da pedra,
As impurezas do nosso corpo,
As impurezas da morte,
Vamos meu pai,
Lavaremos as pedras que ainda sobram em nossos caminhos,
Lavaremos as pedras banhadas de sol,
Lavaremos as pedras com todas as nossas lágrimas.

Meu pai, 
Vamos lavar as pedras da solidão,
E descansaremos em paz nas terras do perdão. 

1 Cleberton Santos (14/05/1979, Propriá/SE). Poeta e professor do IFBA campus Santo Amaro. Mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela UEFS. Publicou os livros “Ópera urbana” (2000), “Lucidez silenciosa” ( 2005) “Cantares de roda” (2011), “Aromas de fêmea” (2013), "Estante Viva” (2013 ) e "Travessia de abismos" (2015). Vencedor do Prêmio Escritor Universitário Alceu Amoroso Lima da Academia Brasileira de Letras (2002). Apresenta o podcast “Aperitivo Poético” na Rádio Globo. Edita o blog http://clebertonsantos.blogspot.com.br

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29 de ago. de 2019

Finalmente deixaste o debruço

Da janela, você olha a relva brilhar na praça. Sem se cansar, observa as flores do pé-de-matafome tremularem. Mas se surpreende quando um beija-flor vai em cada flor do hibisco. Elas, avermelhadas e sorridentes, recebem com alegria aqueles beijos. Beijos que serão levados para outras bandas. E para completar, a claridade da luz ilumina tudo, até o jardineiro lá na ponta da praça. Ainda na janela, pés vêm, mãos vão e você continua inerte. Saber o que se passa contigo é impossível. Já dizia Coélet: "(...) há tempo para todo propósito debaixo do céu". Parece que entendeste o que ele quis dizer. Finalmente deixaste o debruço.

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