14 de abr de 2018

Fonte original de saber

"Cada ser humano é um eixo de interações de ensinar-aprender. Assim, qualquer que seja, cada pessoa é em si mesma uma fonte original de saber e de sensibilidade. Em cada momento de nossas vidas estamos sempre ensinando algo a quem nos ensina e estamos aprendendo alguma coisa junto a quem ensinamos algo. Ao interagir com ela própria, com a vida e o mundo e, mais ainda, com círculos de outros atores culturais de seus círculos de vida, cada pessoa aprende e reaprende. E, assim, cada mulher ou homem é um sujeito social de um modo ou de outro culturalmente socializado e é, portanto, uma experiência de sua própria cultura.
SILVA, René Marc da Costa. Cultura Popular e Educação: Salto para o Futuro. Tv Escola. SEED. MEC. Brasília, 2008. p. 33
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25 de fev de 2018

Bença


A gente vinha de Aracaju. Eu estava cansado, mas o jeito agradável de minha mulher me mantinha atento ao ir e vir da rodovia. Nos aproximamos de uma cidade, cujo nome não me recordo. A primeira coisa que avistamos após a lombada foi um aglomerado de barracas disformes. A frente delas os afrodescendentes vendiam milho cozido e assado. 

Minha mulher me olhou e disse: 

— Me deu uma vontade de comer milho!

Eu estacionei o carro e logo fomos atendidos por uma senhora simpática que nos chamou de “bença”. Essa era a maneira de ela se aproximar dos clientes. Eu era uma bença e todos os que compravam a ela eram também. Enquanto eu pensava nisso, minha mulher gracejava com a vendedora. Esta, graciosa que era, estava de olho na freguesia e, para não perder tempo foi direta:
— Bença, faço três espigas por cinco reais.
Minha mulher não fez objeção. Aceitou a proposta dela. Quando estávamos prestes para irmos embora, ela fez uma pausa e disse:

— Minha bença, voltando-se para a minha mulher.
 — Da próxima vez eu vou dar uma espiga ou uma aguinha ao motorista.

Minha mulher não aguentou. Olhou para mim, riu gostosamente e lhe disse:

Mulé, não é preciso não. Ele não é motorista não. É meu marido, rindo de mim.

Bença ficou descabreada, mas percebeu que eu não tinha me importado com o que ela disse. Para mim agradar, desfazendo aquele mico, ela insistia em me dar um agrado da próxima vez que parássemos na barraca dela, argumentando que era costume fazer isso com todos os motoristas. Ela só me via como motorista. Tentei compreendê-la. Imaginei que havia por trás disso uma explicação. Aí, perguntei-lhe:

— Por que a senhora faz isso com todos os motoristas?

Ela me surpreendeu, respondendo:

— Sabe por quê? Porque os motoristas só assim vão parar na minha barraca. É pra bater na concorrência. Eu dou milho e aguinha pra eles, tocando no braço de milha mulher, completando: — Nenão Bença!

Aí, eu completei:

— Quer dizer que eu tenho a cara de motorista?

Ela olhou pra minha mulher. Minha mulher olhou pra mim e todos riram.

Todas as vezes que a gente passa pela BR-101 e nos aproximamos de quaisquer barracos, nos lembramos de Bença, do seu modo inteligente de ganhar a vida.

Da última vez que estivemos por lá, não a vimos. Talvez estivesse doente. Talvez tivesse ido para outros lugares expandir seu comércio, ido embora ou até falecido.
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17 de fev de 2018

O que é um bom livro?


Mário Sérgio Cortella
Mas, o que é um bom livro? A subjetividade da resposta é evidente. No entanto, é possível estabelecer um critério: um bom livro é aquele que te emociona, isto é, aquele que produz em ti sentimentos vitais, que gera perturbações, que comove, abala ou impressiona. Em outras palavras, um bom livro é aquele que, de alguma maneira, te afeta e impede que passa adiante incólume.

A emoção do bom livro é tão imensa que se torna, lamentavelmente, irrepetível. Álvaro Lins, crítico literário pernambucano (...) fez uma reflexão no Notas de um diário de crítica que expressa uma parte dessa contraditória agonia: "Ah, a tristeza de saber, no fim da leitura de certos livros, que nunca mais os leremos pela primeira vez, que não se repetirá jamais a sensação da primeira leitura, que não teremos renovada a felicidade de ignorá-los num dia e conhecê-los no dia seguinte".

CORTELLA, Mário Sérgio. Não nascemos prontos!: provocações filosóficas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.
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8 de fev de 2018

Ron Perlim participa de reunião sobre a Bienal do Livro do BSF

O escritor Ron Perlim esteve no Sebrae no dia 07 de fevereiro de 2018, em Aracaju/SE, acompanhado de sua esposa e de membros da Academia Proprianse de Letras (Amorim, Geraldo, Ana Campos e Jane Nascimento) para tratar da Bienal do Livro do Baixo São Francisco, que será sediada na cidade de Propriá. A reunião foi bastante proveitosa, ficando ele em nome do Centro Cultural de Propriá/SE, responsável pelo rascunho do projeto para Virgínia e Júlia, representantes do Sebrae.


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9 de jan de 2018

A origem da expressão OK!

Andre Jackson

A expressão “O.K” anda de boca em boca, significando que se compreende, resolveu, aprovou ou combinou alguma coisa. Entretanto, quantos conhecerão a origem da palavra “O.K”? Eis a origem:Andrew Jackson, aos treze anos, entrou para o exército americano e tomou parte em batalhas célebres das forças dos “Insurretos”. Tornou-se jurista, oficial superior, diplomata e político, chegando a ser da república norte-americana. Apesar disso, a sua ortografia deixava muito a desejar. Sem que ele esforçasse para corrigi-la. Conta-se que durante uma campanha , um ajudante de campo levou-lhe uma mensagem que de via ser por ele aprovada com as iniciais “ A, C” que correspondiam à fórmula clássica abreviada de “All Correct” isto é, “muito bem”, “está correto”. Jackson que devia traçar apenas duas letras “A, C”, aproveitou a oportunidade para perpetrar dois erros ortográficos. Com efeito “All Corect” pronunciou-se “Ol Korrect” e o ilustre general escreveu as duas letras tal como a pronunciava: “O.K” e assinou. Desse modo, a fórmula “O.K” tinha nascido. O exército, por pilhéria, adotou-a. E ela subsistiu até hoje, espalhada pelo mundo inteiro.

Novíssima Tira Dúvidas do Estudante. Fale & Escreva Corretamente. Editora do Estudante, s.n.t. p. 04.


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31 de dez de 2017

O que disseram do livro O povo das águas

Gentilmente alguns leitores comentaram sobre o livro O povo das águas. Em forma de gratidão, o Blogue do Ronperlim reproduz esses comentários fechando o ano de 2017.

"Vc está de parabéns, meu amigo! Seu livro é espetacular!
De uma leitura envolvente. Me identifiquei com Cíbar por ser a voz que não é ouvida. A delicadeza dos detalhes das figuras mitológicas é perfeita e apaixonante. Que Deus abençoe o nosso velho e bom Chico. Parabéns! Recomendo a todos. Belíssima obra!".
(Servidora pública, estudante de Direito, P. R. do Colégio/AL)

"Livro MUITO bom, li em 1 dia, misturando fantasia com realidade e nos fazendo refletir em relação ao nosso Chico. Parabéns Ron Perlim, mais 1 trabalho maravilhoso".
(Estudante do Ensino Fundamental, P. R. do Colégio/SE)


 “Foi uma leitura extremamente linda. É ótimo ver como Ron conseguiu escrever sobre um assunto tão fantástico e conseguiu fazer com que eu imaginasse a cada cena, senti-me cada vez mais interessada em conhecer Cíbar e o conselho das águas. Um livro cheio de imaginação e até mesmo de uma lição ao terminarmos de lermos”.
(...)
“Recomendo esse livro para quem gosta de uma fantasia em rios, um envolvimento até mesmo com a política, de como os deputados tratam as outras pessoas, e principalmente para quem curte água, tive a sensação de que estava sempre junto de Cíbar e torcendo”.
Morgana brunner
(Cursa a Faculdade de Letras. Blogue Segredos Literários, RS.)

 “Seu livro é muito bom! Parabéns! Acabei de ler. Bom enredo, boa mensagem. Estou gratificado. Um livro útil e que vai, espero ser eterno. Ganhar prêmios”.
(...)
“O Povo das Águas é um livro que encanta, desde o curumim das escolas primárias ao pajé das universidades. Desde o caboclo de poucas letras ao intelectual cheio de sabedorias. Acho que deveria ser adotado como leitura obrigatória para todo mundo”.
(Escritor. Academia Sergipana de Letras, Aracaju/SE)


"O rio São Francisco está morrendo todos os dias, nós mortais e acomodados presos em nossas matrix, o vemos definhar pelas telas dos celulares como se essa realidade não existisse. Em resposta aos gemidos agonizantes, seres míticos movimentaram a imaginação de um escritor e em resposta nasceu "O povo das águas "UMA BELA AVENTURA".
Rose Nunes
(Professora, Cedro de São João/SE)

Saiba mais acessando: www.sites.google.com/view/opovodasaguas

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17 de dez de 2017

Relançamento do livro O povo das águas em Propriá/SE

Aconteceu no dia 16/12/2017 o relançamento do livro O povo das águas na cidade de Propriá - Sergipe. Na ocasião, o presidente do CCP (Centro Cultural de Propriá) fez algumas considerações sobre a importância do evento no Baixo São Francisco.

O escritor Ron Perlim falou da importância do livro, contextualizando-o a realidade penosa do Rio São Francisco. Para isso, ele utilizou os mitos e as lendas para representar a voz do povo ribeirinho que sofre quando presencia todos os dias o assoreamento se espalhar pelo corpo do rio.

Repórter Oliveira Neto

Entrevista para o Programa Mais - Rádio Jornal 540 AM

Ron Perlim fala para o público











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30 de nov de 2017

Livro O povo das águas


Vá ao site da Editora Penalux. Baixe o primeiro capítulo do livro O povo das águas (amostra grátis) e conheça o mundo fantástico dos mitos e lendas do São Francisco. Saiba como eles se mobilizaram em defesa do Velho Chico. Você adentrará numa história nunca contada!
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27 de nov de 2017

O lugar da ética nos escritores


 O significado primeiro da palavra étca (ethos)é caráter. Caráter, quem vem do latim, era o nome dado ao ferro de marcar e era, por extensão, marca, figura ou signo que se imprime ou esculpe em uma coisa, e também sinal, estilo, forma particular de qualquer sistema de escritura. Ensinar, por sua vez, vem deinsignare, que significa deixar o signo, deixar a marca em alguém. Ética e educação trabalham no sentido de deixar uma marca, delinear um modo de comportamento. Diante disso, a arte procura capturar algo do que é, essa região na qual o comportamento e o caráter, assim como o justo, o adequado e o correto, se recolhem em prol da intensidade. Qual é, então, o lugar da ética nos escritores? E nos escritores de livros para crianças? Qual é, em todo caso, a relação entre ética e literatura? Falta ética, quando essa palavra vazia é impressa, editada, gera vendas e direitos de autor, engana ou tenta enganar leitores incautos ou crianças. Hipocrisia então... desdobramento de valores que mais se declaram quando menos estão em nós e em nossa sociedade. Ante a escrita, abismam-se as boas intenções, o bem-pensante, cambaleiam nossas concepções do que deve ser.

ANDRUETTO, María Teresa.Por uma literatura sem adjetivos.São Paulo: Editora Pulo do Gato, 2012.p. 127.
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23 de nov de 2017

Centro Cultural de Propriá - Sergipe

Na noite de ontem, Ron Perlim se torna membro do Centro Cultural de Propriá/SE, numa sessão extraordinário. Na ocasião, ele falou sobre o livro O povo das águas que em breve será relançado naquela cidade.






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18 de nov de 2017

VI Encontro de Escritores Sergipano

O VI Encontro de Escritores Sergipano aconteceu hoje, dia 18 de novembro de 2017, e eu tive por lá. O evento ocorreu na Aese (Associação dos Engenheiros Agrônimos de Sergipe)







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9 de out de 2017

Eles eram muito cavalos

Luiz Ruffato
No seu primeiro romance “Eles Eram Muito Cavalos”, você de alguma forma tentou trazer para o público, uma São Paulo que muitos não querem ver ou sua intenção quando escrevia a obra era outra?

São Paulo é o sexto maior aglomerado urbano do planeta, com cerca de 20 milhões de habitantes. Uma metrópole onde a segunda maior frota de helicópteros particulares do mundo sobrevoa ônibus, trens e metrôs que desovam trabalhadores em estações superlotadas; traficantes ricos instalados em suas mansões leem nos jornais notícias sobre traficantes pobres perseguidos pela polícia corrupta e violenta; políticos roubam a nível municipal, estadual e federal; as vitrines dos restaurantes chiques refletem os esfomeados, os esfarrapados; rios apodrecem em esgoto, lama, veneno; favelas enlaçam prédios futuristas; universidades de excelência alimentam a próxima elite política e econômica, enquanto na periferia, escolas com professores mal remunerados, mal formados e mal protegidos geram os novos assalariados; a mais avançada tecnologia médica da América Latina assiste, impassível, à fila dos condenados à morte: homens vítimas da violência, mulheres vítimas de complicações do parto, homens e mulheres vítimas da tuberculose, crianças vítimas da diarreia; muros escondem a vida miúda que escorre lá fora. Como transpor o caos dessa cidade para as páginas de um livro? Penso que o ficcionista deveria ser assim uma espécie de físico que ausculta a Natureza para tentar compreender o mecanismo de funcionamento do Universo.
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1 de out de 2017

O povo das águas na 8ª Bienal do Livro de Alagoas

Dia 30 de setembro de 2017 relancei o livro O povo das águas no estande da Secult/Biblioteca Graciliano Ramos a partir das 8:00 horas. Após o lançamento, andando entre as livrarias, me encontrei com a escritora gaúcha Angélica Rizzi, trocamos ideias, experiências...








Angélica Rizzi e Ron Perlim

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26 de set de 2017

Bate-papo com os alunos do Santa Bulhões

Escola Santa Bulhões


A convite do corpo docente da Escola Estadual D. Santa Bulhões, estive naquela instituição falando sobre o livro e a leitura no dia 26 de setembro de 2017. Assim que pus os pés na escola, me encontrei com Múrcio Niemayer e conversamos sobre o livro O povo das águas e Foi só um olhar.

Passado o nosso diálogo, fui conduzido pela professora Detinha para o pátio, onde os alunos estavam a minha espera. Dei início ao bate-papo discorrendo sobre a importância da leitura em nossas vidas. Para isso, lhes contei como a minha prática de leitura facilitou a minha vida na faculdade. Expus como a leitura de ficção nos humaniza, nos tornam pessoas melhores e capazes de nos situar no mercado de trabalho. E não parei por aí: lhes disse que ela amplia a compreensão das coisas, já que o mundo é construído sobre o conhecimento.

Encerrei o bate-papo estimulando-os a terem afeição pelos livros, lhes contando esta história:

Quando tinha entre nove e dez anos, meu pai colocou uma ratoeira na cumeeira da casa. Sabedor disso, fiquei curioso. Queria ver o rato preso. Fiquei sem dormir por causa disso. Por volta da meia-noite, ouvi o estalo da ratoeira. Sai às pressas, subi numa bicicleta encostada a parede e tentei ver o pobre do rato preso. Nisso, perdi o equilíbrio, caí e quebrei o braço.

Furioso, meu pai me levou para Aracaju e foi resmungando até lá.

De braço engessado, sem poder brincar, fiquei em casa. A partir daí, comecei a ler o Novo Testamento, desses que os Gideões vivem doando. Depois veio O caso da borboleta Atíria que, inclusive, nunca me saiu da cabeça. E foi assim que eu nunca mais larguei os livros.
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24 de set de 2017

Lançamento do livro O povo das águas

No dia 23 de setembro de 2017, no Salão Paroquial em P. R. do Colégio, o escritor Ron Perlim lançou mais um título que se chama O povo das águas pela Editora Penalux. O livro trata do problema do assoreamento do Rio São Francisco e da revitalização sempre negligenciada pelas autoridades, como consta na sinopse:

Quando Cíbar mergulha nas águas do rio São Francisco, é surpreendido por uma voz e toma um susto daqueles por estar diante da Mãe d’água que lhe pedia para ser colocutor entre os humanos e o povo que vive no rio. Assustado, ele não se dispôs a ajudar, indo às pressas para casa. Passou o resto dia pensado nela e no que havia dito. Então, resolveu ir para a reunião do conselho realizada na pedra do meio. Lá, ele ouve atentamente as alegações e a desconfiança de alguns dos líderes de cada nação ali presente, concordando em ser o porta-voz e seguir as orientações do conselho das águas. Enquanto porta-voz, Cíbar tem dificuldades para conscientizar políticos da importância e necessidade da revitalização do rio e da preservação ambiental para a sobrevivência humana e de toda criatura que nele habita, deparando-se com a incompreensão, mentiras, prepotência, má vontade e ameaças, dando origem a um penoso embate que só cessa quando Iati intervém, retendo as águas do rio em seus olhos. Neste livro, Ron Perlim nos convida para refletir nossas práticas político-sociais. A leitura deste livro é prazerosa e de fácil compreensão. O povo das águas mistura ficção com realidade com o propósito de tentar humanizar os leitores, tornando-os mais sensíveis, conscientes e reflexivos quanto aos problemas ambientais, políticos e sociais apresentados nesta história.
MAROLI ROCHA
PEDAGOGA










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