25 de fev de 2018

Bença


A gente vinha de Aracaju. Eu estava cansado, mas o jeito agradável de minha mulher me mantinha atento ao ir e vir da rodovia. Nos aproximamos de uma cidade, cujo nome não me recordo. A primeira coisa que avistamos após a lombada foi um aglomerado de barracas disformes. A frente delas os afrodescendentes vendiam milho cozido e assado. 

Minha mulher me olhou e disse: 

— Me deu uma vontade de comer milho!

Eu estacionei o carro e logo fomos atendidos por uma senhora simpática que nos chamou de “bença”. Essa era a maneira de ela se aproximar dos clientes. Eu era uma bença e todos os que compravam a ela eram também. Enquanto eu pensava nisso, minha mulher gracejava com a vendedora. Esta, graciosa que era, estava de olho na freguesia e, para não perder tempo foi direta:
— Bença, faço três espigas por cinco reais.
Minha mulher não fez objeção. Aceitou a proposta dela. Quando estávamos prestes para irmos embora, ela fez uma pausa e disse:

— Minha bença, voltando-se para a minha mulher.
 — Da próxima vez eu vou dar uma espiga ou uma aguinha ao motorista.

Minha mulher não aguentou. Olhou para mim, riu gostosamente e lhe disse:

Mulé, não é preciso não. Ele não é motorista não. É meu marido, rindo de mim.

Bença ficou descabreada, mas percebeu que eu não tinha me importado com o que ela disse. Para mim agradar, desfazendo aquele mico, ela insistia em me dar um agrado da próxima vez que parássemos na barraca dela, argumentando que era costume fazer isso com todos os motoristas. Ela só me via como motorista. Tentei compreendê-la. Imaginei que havia por trás disso uma explicação. Aí, perguntei-lhe:

— Por que a senhora faz isso com todos os motoristas?

Ela me surpreendeu, respondendo:

— Sabe por quê? Porque os motoristas só assim vão parar na minha barraca. É pra bater na concorrência. Eu dou milho e aguinha pra eles, tocando no braço de milha mulher, completando: — Nenão Bença!

Aí, eu completei:

— Quer dizer que eu tenho a cara de motorista?

Ela olhou pra minha mulher. Minha mulher olhou pra mim e todos riram.

Todas as vezes que a gente passa pela BR-101 e nos aproximamos de quaisquer barracos, nos lembramos de Bença, do seu modo inteligente de ganhar a vida.

Da última vez que estivemos por lá, não a vimos. Talvez estivesse doente. Talvez tivesse ido para outros lugares expandir seu comércio, ido embora ou até falecido.
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17 de fev de 2018

O que é um bom livro?


Mário Sérgio Cortella
Mas, o que é um bom livro? A subjetividade da resposta é evidente. No entanto, é possível estabelecer um critério: um bom livro é aquele que te emociona, isto é, aquele que produz em ti sentimentos vitais, que gera perturbações, que comove, abala ou impressiona. Em outras palavras, um bom livro é aquele que, de alguma maneira, te afeta e impede que passa adiante incólume.

A emoção do bom livro é tão imensa que se torna, lamentavelmente, irrepetível. Álvaro Lins, crítico literário pernambucano (...) fez uma reflexão no Notas de um diário de crítica que expressa uma parte dessa contraditória agonia: "Ah, a tristeza de saber, no fim da leitura de certos livros, que nunca mais os leremos pela primeira vez, que não se repetirá jamais a sensação da primeira leitura, que não teremos renovada a felicidade de ignorá-los num dia e conhecê-los no dia seguinte".

CORTELLA, Mário Sérgio. Não nascemos prontos!: provocações filosóficas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.
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8 de fev de 2018

Ron Perlim participa de reunião sobre a Bienal do Livro do BSF

O escritor Ron Perlim esteve no Sebrae no dia 07 de fevereiro de 2018, em Aracaju/SE, acompanhado de sua esposa e de membros da Academia Proprianse de Letras (Amorim, Geraldo, Ana Campos e Jane Nascimento) para tratar da Bienal do Livro do Baixo São Francisco, que será sediada na cidade de Propriá. A reunião foi bastante proveitosa, ficando ele em nome do Centro Cultural de Propriá/SE, responsável pelo rascunho do projeto para Virgínia e Júlia, representantes do Sebrae.


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9 de jan de 2018

A origem da expressão OK!

Andre Jackson

A expressão “O.K” anda de boca em boca, significando que se compreende, resolveu, aprovou ou combinou alguma coisa. Entretanto, quantos conhecerão a origem da palavra “O.K”? Eis a origem:Andrew Jackson, aos treze anos, entrou para o exército americano e tomou parte em batalhas célebres das forças dos “Insurretos”. Tornou-se jurista, oficial superior, diplomata e político, chegando a ser da república norte-americana. Apesar disso, a sua ortografia deixava muito a desejar. Sem que ele esforçasse para corrigi-la. Conta-se que durante uma campanha , um ajudante de campo levou-lhe uma mensagem que de via ser por ele aprovada com as iniciais “ A, C” que correspondiam à fórmula clássica abreviada de “All Correct” isto é, “muito bem”, “está correto”. Jackson que devia traçar apenas duas letras “A, C”, aproveitou a oportunidade para perpetrar dois erros ortográficos. Com efeito “All Corect” pronunciou-se “Ol Korrect” e o ilustre general escreveu as duas letras tal como a pronunciava: “O.K” e assinou. Desse modo, a fórmula “O.K” tinha nascido. O exército, por pilhéria, adotou-a. E ela subsistiu até hoje, espalhada pelo mundo inteiro.

Novíssima Tira Dúvidas do Estudante. Fale & Escreva Corretamente. Editora do Estudante, s.n.t. p. 04.


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31 de dez de 2017

O que disseram do livro O povo das águas

Gentilmente alguns leitores comentaram sobre o livro O povo das águas. Em forma de gratidão, o Blogue do Ronperlim reproduz esses comentários fechando o ano de 2017.

"Vc está de parabéns, meu amigo! Seu livro é espetacular!
De uma leitura envolvente. Me identifiquei com Cíbar por ser a voz que não é ouvida. A delicadeza dos detalhes das figuras mitológicas é perfeita e apaixonante. Que Deus abençoe o nosso velho e bom Chico. Parabéns! Recomendo a todos. Belíssima obra!".
(Servidora pública, estudante de Direito, P. R. do Colégio/AL)

"Livro MUITO bom, li em 1 dia, misturando fantasia com realidade e nos fazendo refletir em relação ao nosso Chico. Parabéns Ron Perlim, mais 1 trabalho maravilhoso".
(Estudante do Ensino Fundamental, P. R. do Colégio/SE)


 “Foi uma leitura extremamente linda. É ótimo ver como Ron conseguiu escrever sobre um assunto tão fantástico e conseguiu fazer com que eu imaginasse a cada cena, senti-me cada vez mais interessada em conhecer Cíbar e o conselho das águas. Um livro cheio de imaginação e até mesmo de uma lição ao terminarmos de lermos”.
(...)
“Recomendo esse livro para quem gosta de uma fantasia em rios, um envolvimento até mesmo com a política, de como os deputados tratam as outras pessoas, e principalmente para quem curte água, tive a sensação de que estava sempre junto de Cíbar e torcendo”.
Morgana brunner
(Cursa a Faculdade de Letras. Blogue Segredos Literários, RS.)

 “Seu livro é muito bom! Parabéns! Acabei de ler. Bom enredo, boa mensagem. Estou gratificado. Um livro útil e que vai, espero ser eterno. Ganhar prêmios”.
(...)
“O Povo das Águas é um livro que encanta, desde o curumim das escolas primárias ao pajé das universidades. Desde o caboclo de poucas letras ao intelectual cheio de sabedorias. Acho que deveria ser adotado como leitura obrigatória para todo mundo”.
(Escritor. Academia Sergipana de Letras, Aracaju/SE)


"O rio São Francisco está morrendo todos os dias, nós mortais e acomodados presos em nossas matrix, o vemos definhar pelas telas dos celulares como se essa realidade não existisse. Em resposta aos gemidos agonizantes, seres míticos movimentaram a imaginação de um escritor e em resposta nasceu "O povo das águas "UMA BELA AVENTURA".
Rose Nunes
(Professora, Cedro de São João/SE)

Saiba mais acessando: www.sites.google.com/view/opovodasaguas

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17 de dez de 2017

Relançamento do livro O povo das águas em Propriá/SE

Aconteceu no dia 16/12/2017 o relançamento do livro O povo das águas na cidade de Propriá - Sergipe. Na ocasião, o presidente do CCP (Centro Cultural de Propriá) fez algumas considerações sobre a importância do evento no Baixo São Francisco.

O escritor Ron Perlim falou da importância do livro, contextualizando-o a realidade penosa do Rio São Francisco. Para isso, ele utilizou os mitos e as lendas para representar a voz do povo ribeirinho que sofre quando presencia todos os dias o assoreamento se espalhar pelo corpo do rio.

Repórter Oliveira Neto

Entrevista para o Programa Mais - Rádio Jornal 540 AM

Ron Perlim fala para o público











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