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Barco de Pescador


Estava às margens do rio, eu e tantos outros. Enquanto a lancha passava com poucos passageiros, a brisa nos tocava. O ambulante, numa galinhota, se aproxima. A castanha de caju estava com uma boa aparência. Degustei uma delas e comprei uma porção. Ele saiu pela beirada do rio e ninguém mais comprou.

Homens retiravam orelhas de burro com um gadanho. Elas impediam que os clientes do bar tomassem banho.

Chico, o Velho, não descansa. Cheio de dores e hematomas, segue humilhado seu curso; mas se mantém firme. Seus filhos precisam dele.

Nisso, um barco com dois jovens se aproxima, atraca na beira do rio. O último, a espiar as garotas, ficou com o leme, e o outro próximo a proa, espiava algo no celular.

Uma garotinha saiu correndo do barraco disforme, feito de madeira e palha, foi até a canoa, comprou um pacote de algodão doce e voltou na mesma velocidade.

Aquele barco que andou cheio de peixes olhou triste, demorou uns dez minutos e saiu aos poucos pela beirada a procura de clientes mirins para seu sustento.

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