Por Ron Perlim

Dê a seu filho ou filha um livro como se dá um bombom, um brinquedo, a camisa do time preferido, o abraço, o afago. Permita a ele ou a ela o mundo das palavras e do conhecimento.


Girleide, Carla, Carlindo, Cárlisson
Fui ao I Encontro de Escritores do Agreste Alagoano, organizado pelo escritor José Rocha na Casa da Cultura, em Arapiraca, Alagoas. O Evento aconteceu no dia 25 de janeiro de 2020. Cheguei no final de uma rodada de escritores, composta por Carla Emanuele (presidente da Acala), professor Carlindo Lira, Girleide Alves, Ademilson Leandro e Cárlisson Galdino que expunha seu trabalho de cordelista. Me chamou a atenção a forma como ele leu seus cordéis. Fiquei, de pé, ouvindo a leitura engraçada de seus textos que tanto agradava a plateia. Encerrada a vez deles, houve a segunda rodada, onde eu me incluía.

Flaviana Wanderley, Flaviana Costa, Dennys, Odilon, Ron Perlim, Elias
Nessa segunda parte e última do evento no período da manhã, sentaram-se à mesa Flaviana Wanderley, Flaviana Costa, Dennys, Odilon dos Anjos, Ron Perlim e Elias Barbosa. Antes que os escritores fizesse uso da palavra, a professora Magda fez divulgação da I Antologia Arapiraquense, explicou os pontos relevantes do edital para inscrição e encerrou, divulgando o Instagram daquela antologia. Encerrada essa parte, o primeiro escritor a fazer uso da palavra foi Elias Barbosa. Por ser militar e estar fardado no evento, logo chamou a atenção. Expôs seus livros e comentou um a um, todos ligados a fatos relevantes que marcaram a História de Alagoas, como o caso do cabo Anselmo e da deputada Ceci Cunha. Em seguida, o jovem Dennys falou um pouco de si e leu um de seus poemas. Na sequência, o microfone foi parar nas mãos de Flaviana Wanderley. Ela afirmou que jamais pensou em ser escritora, mesmo sendo formada em Pedagogia, mas se surpreendeu quando viu um de seus textos (Deusa dos Lábios de Fogo) publicado na Antologia Palmeirense.

Flaviana Costa levantou-se da cadeira, dirigiu-se a plateia e declamou um cordel de exaltação a vida, a Jesus e a esperança. Feito isso, voltou para a mesa, sentou-se e não fez uso do microfone. Acostumada a dar palestras, acostumada ao giz, falava de forma que todos ouviam claramente. Sua história de vida comoveu aqueles que atentos estavam. Sua capacidade de resiliência serviu e serve de exemplo para os que vivem no desterro. Os fatos violentos que sofreu, o coma, o suicídio me fez lembrar do livro de crônicas, escrito por mim, Foi só um olhar. Livro este lido por uma amiga que ficou estarrecida com os textos. Flaviana encerrou sua fala emocionada.

Em seguida, foi o jovem Odilon dos Anjos. Relatou que a escrita foi importante para ele superar um período de depressão em sua vida. Ele publicou um livro artesanalmente e um de seus textos, lidos por mim naqueles instantes, me fez lembrar dos meus textos quando iniciei a minha escrita literária.

Ron Perlim: auditório da Casa da Cultura
Finalmente chegou a minha vez de falar para a mesa e as cadeiras da plateia. Iniciei de forma pausada, destacando 5 itens que julguei importante enquanto ouvia os meus colegas, que são: 1 - Precisa o escritor de formação para ser escritor? 2. Existe uma elite literária? 3. Há escritos bobos? 4. O que seria inspiração? e 5. A leitura de livros de ficção serve para alguma coisa?. Respondi cada uma delas nestes termos: 1 - Há quem acredite que sim. Há os que acreditam que não. Eu só o do não. Explico: a primeira formação do escritor parte de dentro para fora, mas se ele não souber usar as palavras, morre antes de nascer. E para não morrer, precisa ler, ler, ler. Escrever, escrever e escrever. 2 - Se existe uma elite literária em Maceió, eu não saberia especificar até porque não vivia por lá. Vivia mais em Aracaju. Em Aracaju não tive problema alguma com isso, talvez por causa do Prêmio Alina Paim de Literatura Infantil/Juvenil que recebi no ano de 2010 com o livro Laura, só publicado no ano de 2011 e lançamento em 2012. 3 - Sobre os escritos bobos falei que toda escrita, quando iniciada, parece boba. Só a prática da escrita e reescrita (Como as lavadeiras de Graciliano Ramos.) conferi identidade ao escritor com o passar do tempo. 4 - Há quem acredite que seja algo divino. Há quem não. Eu só do não. Para mim inspiração é a materialização de leituras anteriores. 5 - Sim. A leitura dos livros, seja de ficção ou não, serve para muita coisa. Por exemplo: eu escrevi o livro A menina das queimadas. Um conhecido comprou um exemplar. Andando outro dia pela rua, eu o encontro e ele me disse: "Quero agradecer você". Perguntei-lhe: "Por quê?". E ele respondeu: "Eu tava meio desanimado. Depois que li o livro A menina das queimadas, minha auto estima mudou. Obrigado por ter escrito esse livro". Então é isso: não importa a quantidade de leitores que você terá ou tem, mas o que os seus livros representarão para eles. Era isso o que eu tinha para dizer.

Agradeço aos que aqui se encontram, a José Rocha e demais organizadores deste evento. Foi uma satisfação participar, conhecer gente nova e espero que outros eventos assim aconteçam para que possamos compartilhar experiências. Obrigado.

O evento, no período da manhã, encerrou-se com sorteio de livros e cordéis.

4 Comentários

  1. Maravilha! Agradeço imensamente sua presença bem como a de outros escritores.
    Obrigado mesmo!
    Att, José Rocha.

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    1. Valeu, José Rocha! Seu incentivo é muito importante para que jovens escritores ingressem nesse mundo ouvindo as experiências de quem já tem estrada.

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  2. Que maravilha de encontro! Parabéns, nosso Brasil é o que mais publica livros, é o que país que mais se publica também, necessitamos agora só fomentar o estímulo a leitura... Volto a parabenizá-lo por ser escritor!

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    1. Obrigado. O Brasil precisa se organizar melhor em muitos pontos, falar com clareza sobre a importância da leitura e dos livros para que a população possa compreender desenvolver o sentimento de empatia. Precisamos muito disso.

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