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31 de dez de 2017

O que disseram do livro O povo das águas

Gentilmente alguns leitores comentaram sobre o livro O povo das águas. Em forma de gratidão, o Blogue do Ronperlim reproduz esses comentários fechando o ano de 2017.

"Vc está de parabéns, meu amigo! Seu livro é espetacular!
De uma leitura envolvente. Me identifiquei com Cíbar por ser a voz que não é ouvida. A delicadeza dos detalhes das figuras mitológicas é perfeita e apaixonante. Que Deus abençoe o nosso velho e bom Chico. Parabéns! Recomendo a todos. Belíssima obra!".
(Servidora pública, estudante de Direito, P. R. do Colégio/AL)

"Livro MUITO bom, li em 1 dia, misturando fantasia com realidade e nos fazendo refletir em relação ao nosso Chico. Parabéns Ron Perlim, mais 1 trabalho maravilhoso".
(Estudante do Ensino Fundamental, P. R. do Colégio/SE)


 “Foi uma leitura extremamente linda. É ótimo ver como Ron conseguiu escrever sobre um assunto tão fantástico e conseguiu fazer com que eu imaginasse a cada cena, senti-me cada vez mais interessada em conhecer Cíbar e o conselho das águas. Um livro cheio de imaginação e até mesmo de uma lição ao terminarmos de lermos”.
(...)
“Recomendo esse livro para quem gosta de uma fantasia em rios, um envolvimento até mesmo com a política, de como os deputados tratam as outras pessoas, e principalmente para quem curte água, tive a sensação de que estava sempre junto de Cíbar e torcendo”.
Morgana brunner
(Cursa a Faculdade de Letras. Blogue Segredos Literários, RS.)

 “Seu livro é muito bom! Parabéns! Acabei de ler. Bom enredo, boa mensagem. Estou gratificado. Um livro útil e que vai, espero ser eterno. Ganhar prêmios”.
(...)
“O Povo das Águas é um livro que encanta, desde o curumim das escolas primárias ao pajé das universidades. Desde o caboclo de poucas letras ao intelectual cheio de sabedorias. Acho que deveria ser adotado como leitura obrigatória para todo mundo”.
(Escritor. Academia Sergipana de Letras, Aracaju/SE)


"O rio São Francisco está morrendo todos os dias, nós mortais e acomodados presos em nossas matrix, o vemos definhar pelas telas dos celulares como se essa realidade não existisse. Em resposta aos gemidos agonizantes, seres míticos movimentaram a imaginação de um escritor e em resposta nasceu "O povo das águas "UMA BELA AVENTURA".
Rose Nunes
(Professora, Cedro de São João/SE)

Saiba mais acessando: www.sites.google.com/view/opovodasaguas

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17 de ago de 2017

Narrativas para contar e recontar


A palavra folclore foi criada por um arqueólogo inglês em 1846. É formada pela união de dois termos: folk, que significa povo, e lore que quer dizer sabedoria.
Folclore, portanto, tem um sentido amplo, que acolhe tudo aquilo que pode ser considerado expressão da “sabedoria do povo”, ou seja, as manifestações da alma popular, de sua cultura mais autêntica, de sua moral, de seu modo de ver o mundo, de encarar a vida e de lidar com a morte, suas crenças, tradições e conhecimentos.
São manifestações sem interferência da cultura erudita e que nascem espontaneamente no dia-a-dia das pessoas. Podem ser, também, representações de costumes passados de geração para geração, transmitidos desde as épocas mais remotas da constituição de uma nação, que sofreram influências culturais dos elementos humanos e formaram um determinado povo.
O artesanato, as festas, as músicas, as danças, as brincadeiras, as comidas e bebidas tradicionais, os cultos, as lendas, os mitos e os contos compõem esse grande conjunto de saber popular, o folclore, que acaba sendo um retrato, uma síntese da beleza e da capacidade criativa de um povo.
Se quisermos compreender uma sociedade, chegar à sua alma, às suas raízes mais profundas e autênticas, devemos conhecer o seu folclore.
As narrativas orais, disseminadas a partir dos ambientes familiares, figuram com uma das expressões mais vivas do folclore. Sem autoria determinada, são contos preservados e renovados, sobretudo nas conversas em família, em que os mais velhos passam aos mais jovens esses relatos cheios de imaginação e encantamento.
Os contos do folclore brasileiro, aqui reproduzidos e adaptados, são uma boa amostra desse imenso conjunto cultural que compõe o imaginário do nosso povo. trazem um sabor rico, denso e variado, que reúne olhares distintos, vindos de diversas partes do mundo. As narrativas recebem três fortes temperos dos homens que formaram o povo brasileiro: indígenas, africanos e europeus. A influência de cada povo fica clara na leitura. Os contos cujos personagens são bichos têm origem indígena ou africana, como “O Macaco e a boneca de piche”.
Contos com bichos, como “A Onça e o Gato” e “A Preguiça”, assim como “A lenda da Iara”, são indígenas. Alguma narrativas envolvendo escravos refletem, sem dúvida, o sentimento dos negros antes da Lei Áurea. Já os que falam de reis, príncipes, encantamentos e heróis possuem origem europeia.
Ao entrarmos em contato com as narrativas de nosso folclore, ficamos mais perto de nós mesmos. Podemos nos compreender melhor e apreciar a riqueza das origens de nossa cultura. São contos que divertem, entretêm, emocionam e ensinam muito sobre o que somos.
Com o passar do tempo, por força das circunstâncias da vida moderna, nós nos distanciamos cada vez mais do vigor dessa sabedoria original, tornando ainda mais importante um movimento de aproximação entre o homem contemporâneo e seu folclore.
Sílvio Romero, Mário de Andrade, Câmara Cascudo e Monteiro Lobato foram alguns dos pioneiros dessa revelação e da difusão do folclore brasileiro para o homem das cidades.


CARRASCO,Walcyr. Lendas e Fábulas do Folclore Brasileiro. Barueri, São Paulo: Manole, 2009.vol.1.
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1 de mai de 2017

Os especialistas em suicídio



Tenho lido com certo desconforto “especialistas” que aparecem nas redes criticando de forma agressiva e desumana pessoas que cometeram suicídio ou estão depressivas.

Pessoas que se comportam dessa forma são insensíveis, tolas, prepotentes. Não desenvolveram a empatia, nem fizeram leituras aprofundadas dessa melancólica condição humana.

Ninguém é um suicida de um dia para o outro. Tudo tem uma origem, um meio e um fim. As causas que levam uma pessoa ao suicídio são complexas, envolvem muitos aspectos da história psicossocial dela.

Quando você ouvir ou ler coisas depreciativas tratando desse assunto, não seja um ventríloquo, nem dê importância para elas. O melhor caminho é compreender. E só se compreende estudando, perguntando a quem de fato se dedica ao tema, tem anos de experiência.

Procure se livrar, também, da espiritualização vista como castigo divino ou maldição para os radicais. Depressão, suicídio são males da alma relacionado a fatores externos e para alguns, deficiência química.

Eu, que não sou especialista, nem me atrevo a ser nas redes; li a Teoria da Inteligência Multifocal do Dr. Augusto Cury e ampliei o meu entendimento sobre o suicida. As pessoas que se acham, que se sentem uma fortaleza, que vociferam sobre isso; deveriam pousar suas línguas, seus pensamentos. Refletir sempre é bom para a alma e o corpo.

Não seja mais um na seara da tolice, da intolerância na busca fremente para ser visto. Pense que o outro a ser criticado, violentado pode ser você outro dia. 

Se pensarmos na vida como um intervalo de tempo, veremos que não há nada mais tosco, atrasado e doentio que cultivar a indiferença, o desdém, o ódio.

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22 de abr de 2017

Qualquer um aprende a escrever


Eu me recordo das primeiras percepções que tive da vida e tentava pô-las para fora, fosse na oralidade ou na escrita. Mas a minha pobreza vocabular me impedia de colocar as palavras nos lugares certos.
Isso me incomodava, me constrangia. Me vi tateando no mundo das letras, das leituras da vida, que muitas vezes não foram fáceis.
O escritor nascia dentro de mim e eu nem me dava conta disso. Então, me veio às primeiras tentativas, pobres, mas veio e eu as consegui materializá-las. Muitas delas estão registradas em cadernos escolares.
Aquele menino que não sabia reescrever as suas sensações foi-se pouco a pouco se libertando nos cadernos, onde é possível observar a quantidade de matéria bruta neles contida esperando ser lapidada. Aí, quando me deparo com pessoas que ainda acredita e teima que escrever “é um dom”, percebo quanto é inútil essa espiritualização da escrita. São pessoas que não leram a epístola de Paulo aos Romanos, nem compreenderam a própria motivação da escrita, nem a função social que ela exerce sobre as pessoas.
Só os imaturos insistem nessa ideia e isso pode ser facilmente desmistificada por simples observações daquilo que se passa em nossas cabeças e fora dela. Você já parou para vigiar a si próprio? Já percebeu que a nossa cabeça estar sempre produzindo personagens e enredos, os mais variados possíveis?
Pois é!
As pessoas inventam os mais diversos enredos que a mente é capaz de produzir, que gostaríamos que se tornassem reais ou não, através dos sentidos e da percepção. O que falta em muita é a riqueza vocabular, a prática da leitura, a prática da escrita e a capacidade de expressar com precisão aquilo que se quer dizer.
Com esses elementos, criam-se as mais diversas personagens e determinadas situações possíveis. Sabemos que somos assim e o nosso mundo e o de fora nos povoa. Eu saio do mundo externo e fico comigo, eu e os personagens que às vezes não quero. Depois, saio de mim materializando enredos.
Na verdade, o que falta na maioria das pessoas é o domínio das palavras, a compreensão delas e a função social que exercem. Escrever é prática, é se reconhecer no outro e nos vários aspectos da vida. Qualquer um aprende a escrever. Agora, se terá vocação para ser escritor, é outra história. E nunca confundir vocação com graça divina.


© obvious: http://obviousmag.org/ronperlim/2017/qualquer-um-aprende-a-escrever.html#ixzz4ek2JprDf 
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18 de fev de 2017

Sistema de cumplicidade


Desde jovem, ouço críticas ácidas sobre os políticos. Essas críticas, com o passar dos anos, suscitou sentimentos de aversão e até ódio sobre aqueles que praticavam e viviam na política. Elas viam de cima para baixo e como a maioria dos brasileiros, estava cansado, revoltado e com sede de justiça.
Eu fui um jovem que sempre busquei compreender as coisas e Sofia me ajudou bastante nisso. Então, me debrucei sobre os livros. Queria respostas para as minhas dúvidas, os meus sentimentos; mas eles não me satisfizeram. Era preciso participar da política para saber como ela funcionava. E compreender, principalmente, por que políticos com vida pregressa maculada se perpetuam no poder
Nessa busca, compreendi que o nosso sistema político é um sistema de cumplicidade. É cúmplice o eleitor quando mercadeja o voto. É cúmplice o político quando aceita essa condição ou a impõe. O voto, nesse sistema, não cumpre sua função social, não elege políticos. Não passa de uma simples mercadoria. Nele, não dar para indigitar culpados, nem inocentes se levarmos em conta o modo como foram educados, a origem de cada um.
No cotidiano politico, defino esse sistema de comércio eleitoral, que nada mais é que mercadejar o voto. Pouco se fala nele, seja por ignorância ou má-fé. Ele pode ser dividido em compra e venda de voto; favores e financiamento. A sua prática é comum e visível em todos os municípios deste país. O Congresso é apenas a dimensão de tudo isso em situações muito mais complexas.
O sistema é péssimo, pois, abriu e abre espaço para que todo tipo de gente chegue ao poder. Ele facilita e pari a corrupção. Nesse sistema, o político acusa o eleitor de vender o voto e o eleitor acusa o político de não fazer nada por ele. E nisso, nosso país vive procriando políticos de toda espécie. Exemplo disso é o que estamos vivenciando em nossos dias.
Sei que, enquanto só se apontam os erros das tribunas e não se buscam mecanismos efetivos que sirvam de contraponto na reeducação política de nossas crianças, é tolo quem acredita em mudanças significantes nesta república ou que operações como a Lava Jato passará o país a limpo. Tudo bobagem! Tudo engodo!
É preciso entender uma coisa: políticos não são eleitos por si. É isso que se deve discutir. É isso que crianças, adolescentes e jovens devem compreender. Sem essa compreensão, o sistema permanecerá como se acha, camuflando-se de democracia.
Em vez de empaturrarem as redes de picuinhas, links e discursos fascistas ou se tornando papagaios midiáticos para descriminalizar a política e demonizar pessoas, deveriam abrir espaço para a discussão do sistema de cumplicidade. É ele que precisa ser combatido com veemência. No dia que a sociedade passar a discuti-lo e criar mecanismos de enfrentamento contra esse sistema, muita coisa mudará neste país.
Por falta dessa discussão, o que se ver é o saudosismo militar, a extrema direita tomando folego, os partidos atolados em escândalos, os movimentos sociais lutando para que as conquistas sociais não sejam retiradas. Mas nenhum desses discutem o sistema de cumplicidade, não propõe o combate a corrupção de base, matriz de todas as outras corrupções. Preferem a passividade. Preferem ser ventríloquo, preferem enxergar a corrupção do outro. Ilude-se quem acha que o problema da corrupção do nosso país seja exclusivo de políticos ou de partidos.
E concluo com esta questão: se os candidatos, que não são eleitos por si, fossem eleitos sem a prática do comércio eleitoral, a maioria dos nossos políticos seriam honestos e qualificados? Acredito que sim.


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28 de set de 2016

A pequena e a grande corrupção


 


Em um de seus livros, Plínio de Arruda Sampaio disse que [1]há dois tipos de corrupção, a grande e a pequena; mas que as duas são igualmente perniciosas e imorais, mas que não podem ser combatidas da mesma maneira.
A grande corrupção, mencionada por Plínio, é a que aparece no estardalhaço midiático envolvendo governos federal, municipal, estadual, distrital, políticos, servidores, particulares e heróis que não são de gibis, mas dos que somente enchergam a corrupção do outro.
Não é objeto deste artigo destaca-la, pois, a grande mídia se encarrega de fazê-la; utilizando-se da opressão publicitária e policial para manipular, fazer muita gente de bem acreditar em meias verdades. Foi assim com a pirotecnia do power point de Dallagnol.
Irei, no entanto, ocupar-me da pequena corrupção, especificamente aquela que está entrelaçada ao contexto eleitoral, seja em campanhas ou em mandatos. Ela é ignorada pela grande mídia, pelo Judiciário e pelas instituições. Ignorada porque nada se faz de forma efetiva e eficaz para combatê-la.
Eu costumo chamar a pequena corrupção de comércio eleitoral. Ela é a espinha dorsal da grande corrupção, isto é, o que se pratica nos municípios do nosso país, de forma intensa ou não. Ele é caracterizado pela troca de voto por bens tangíveis (espécie de escambo), intangíveis (favores) e pela compra de voto (quando o eleitor prefere em espécie). Em minha escrita costumeiramente denomino esse conjunto de comércio eleitoral. Muitos justificam essa prática alegando que “o erro já vem de Brasília”, esquecendo-se que os que estão em Brasília não são eleitos por si.
É necessário que aqueles que queiram mudança procurem compreender o funcionamento do sistema, deixando de lado as ácidas críticas que para nada servem, e servem: para distanciar cada vez mais o cidadão de exercer os seus direitos políticos e dar espaço para coisas que acontecerem este ano, por exemplo, o dia 17 de abril.
Precisa o eleitor brasileiro fazer uma releitura da forma como o político é eleito. E essa releitura deve ser feita partindo do comércio eleitoral de base. Não é revoltando-se, esquivando-se que a coisa vai mudar. Discriminalizar a política, partidos, pessoas não resolverá as coisas.
Precisa acabar com essa mania de enxergar a Política a partir das tribunas, das matérias de jornais, revistas, blogs e outros meios; fazendo dela inimiga da sociedade. É necessário conhecê-la na prática para que não se dê espaço para regimes ditatoriais e fascistas.
A mudança tem que vir da base e a base são os municípios, matrizes de todos os candidatos. E o que é que precisa ser mudado? As pessoas. Estas precisam mudar a forma de escolher. Enquanto essa mudança não acontece, as páginas impressas e online sempre trarão a prática de corrupção para as nossas vidas, expondo como muitos dos eleitos tratam-na com naturalidade e o povo com desdém.
É preciso espalhar uma maneira nova de pensar a política, não a partir do que nos oferece a grande mídia e os seus interesses escusos, mas a partir da realidade de cada município. Enquanto isso não acontece, é ilusão achar que “Todo poder emana do povo”.

[1] Sampaio, Plínio de Arruda. Como combater a corrupção. São Paulo: Paulus, 2009.
 
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