17 de mar de 2013

Prefiro garotas off-line


O sorriso era solto e os lábios carnudos. Isso  realçava a beleza exótica dela. Apesar de divorciada, seus olhos não eram tristes, nem lamurientos. Transpareceu alívio, pois, seu ex era muito ciumento e não queria ser mais uma na lista da Proteção Preventiva
 
A trepidez da lancha não impedia o nosso diálogo. Ela levantou-se do assento de madeira, pediu para o condutor da lancha parar no primeiro ponto de desembarque, sentou-se e disse:

— Não posso passar por aqui sem ir à casa da minha amiga. A gente se conhece desde a escola e somos boas amigas.

— Faz bem, disse eu. Preservar os verdadeiros amigos é coisa boa porque eles são poucos e raros. Boa sorte em sua amizade.

Ela me agradeceu, pegou endereço do Face, deixou-me aquele sorriso largo e se foi. A lancha seguiu seu destino e a trepidez dela não impedia os meus pensamentos, nem a doce lembrança que ela deixou naquela manhã.

Se não a conhecesse pessoalmente jamais me deliciaria naqueles lábios, nas maçãs que me fez lembrar Clarice e do busto esbanjando sensualidade. Nada disso seria possível se a conhecesse em alguma rede social.

E concluí: nada substitui a vida off-line.

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